domingo, 10 de maio de 2009

Os inúmeros papéis da escola


Escola, para muitos, é um lugar o qual a criança vai para aprender, primeiro a ler e a escrever, depois passa por todo o processo evolutivo de aprendizado, sendo preparada para o famigerado vestibular. Pouca gente leva em conta que além da responsabilidade da educação formal, a escola é uma parceira na educação de um indivíduo, seu segundo núcleo social depois da unidade familiar, o lugar que vai formá-lo como um ser crítico, analítico e político, e não um mero local formador de vestibulandos.


Meu filho está virando um homenzinho. Sairá agora da escolinha de educação infantil, onde entrou quando era apenas um bebê e vai estudar na mesma escola da sua irmã. Para a mãe, é difícil fazer essa passagem, pois filho é sempre, naturalmente, um bebê. Acho que toda mãe gostaria de ser um canguru para carregar seus filhos em uma bolsa externa, sempre ao seu lado. Mas não é assim. Mãe é apenas um instrumento divino para a procriação da espécie, para orientar cada indivíduo em sua maneira de crescer e se tornar um novo ser procriador de novas espécies. Temos a responsabilidade e o dever, nesta árdua tarefa que é a maternidade, de encaminhar da melhor maneira possível cada filho, para que ele se torne um adulto responsável não apenas com sua vida, mas com o mundo em que vive. Junto com meu filho, está indo o seu amigo Pedro, cuja mãe estudou nesta mesma escola do jardim da infância até o final do antigo colegial. Ontem, fomos todos juntos comprar os uniformes dos pequenos e me emocionei com o momento.

Sempre estudei em escolas públicas e nunca tive uniforme. Tínhamos uma camiseta, com o brasão da Prefeitura ou do Estado, e o nome da escola ao meio do brasão. Admirava crianças indo para suas escolas, vestidas em seus bonitos uniformes. Achava que só gente muito rica usava uniforme. Hoje sei que não sou nem pouco e nem muito rica e não estou nem perto de sê-lo. Pagar uma escola privada é tão difícil quanto na minha infância. A diferença é que as escolas públicas há muito tempo deixaram de ser o que foram para mim, um lugar acolhedor e formador no ensino formal. Vemos que a realidade nas escolas públicas atualmente é outra: se os alunos não matarem algum colega ou professor, se não se drogarem dentro das dependências escolares, se forem capazes de respeitar ao seu próximo, a escola já começa a ser tida como um referencial, como uma escola modelo para as outras. Infelizmente.

Voltei para casa toda orgulhosa. Dobrei e desdobrei a pilha de uniformes novos muitas e muitas vezes. Minha filha de nove anos, apesar de ter passado por inúmeras escolas, só foi para uma escola grande há dois anos e meio, quando entrou na sua atual escola, que receberá agora meu pequeno com o mesmo amor e carinho que a acolhe durante todo esse tempo que passou.

A atual, mas que em breve passará a ser antiga escola do meu filho, só tenho a agradecer pelo cuidado e amor com que ele foi tratado em todos os anos que esteve lá: às professoras, à direção e aquele espaço físico onde ele foi tão feliz e que, tenho certeza, só levará boas recordações. A sua escola nova, que continue com a rigidez disciplinar, mostrando para cada um de seus alunos, independente da idade, que mesmo nos dias de hoje, o essencial na formação de um indivíduo, seja a formal ou a informal, é a educação e o respeito ao seu próximo.

Que meus filhos consigam levar com eles o mesmo carinho que tenho até hoje dos meus bons e velhos tempos na escola da prefeitura, lá no Alto do Mandaqui, meu querido e velho Gastão Moutinho e todos os professores que fizeram parte da minha formação.

3 comentários:

  1. Grande Gastão.
    Já faz quanto?
    Uns 30 anos desde então?
    E o Derville?
    Acho que o Bertoncello até já reencarnou...

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  2. Ha ha ha, que nada MV, o Bertonça só volta se for seu filho, que terá o nome de Fernando Borges e será dono da Tecidex... ha ha ha

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  3. Ha ha ha, que nada MV, o Bertonça só volta se for seu filho, que terá o nome de Fernando Borges e será dono da Tecidex... ha ha ha

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