domingo, 31 de maio de 2009

Festa de quinze anos: comemoração ou teatralização?


Estamos vivendo uma retomada às tradicionais festas de quinze anos. Vinte anos atrás, quando fiz quinze anos, quis muito ter a tal festa. Cresci sempre com a idéia da tal festa na minha cabeça, minha tinha Ana não deixava de comentar, ano a ano, como seria a minha festa. 1989 se aproximava e nada de ninguém falar sobre a organização. Naquele ano, grande parte das minhas amigas estavam completando quinze anos, mas poucas fizeram festa. Eu queria a festa. Meu pai ficou desempregado naquele ano e vi um sonho indo por água abaixo. Tive uma infância feliz, uma adolescência sem ter do que reclamar. Sempre tive muito menos do que as outras meninas ao meu redor, fato que não me fez infeliz, ao contrário, me fez crescer com força e coragem para batalhar e conquistar coisas materiais as quais sonhava. Mas a frustração por não ter a festa de quinze anos...

Já estávamos no mês de maio. Meu aniversário chegando e a tristeza tomando conta de mim. Na minha família, não havia domingo em que não estivéssemos todos reunidos, sempre na nossa casa. Foi em um domingo de maio que a tia Ana juntou todos os tios e decidiram que eu teria a festa. Papai já havia voltado a trabalhar, mas não dava para bancar tudo sozinha. Assim, ela dividiu as tarefas: um tio seria responsável pelas bebidas, outra tia pelo vestido, ela pagaria o aluguel do salão e meus pais se comprometeriam com o resto. Tive a festa de quinze anos muito além do que eu poderia sonhar.

Claro que gostaria de fazer uma festa de quinze anos para minha filha, com tudo que ela sonhar, mas nem sei se ela sonha com isso. Quando tinha a idade dela, nem tinha idéia de como era uma festa assim. Ao contrário, ela já vem participando de algumas, uma vez que a idade chegou aqui para a mamãe e as filhas das amigas estão fazendo, pasmem, quinze anos.

No Orkut, tem uma comunidade com o mote: “festa de quinze anos”. Fico impressionada com a realidade que algumas meninas “Cinderelas” vivem. Há um tópico dentro da comunidade que questiona quanto custou cada festa. Umas custaram pouco, vinte mil Reais. Outras são mais sofisticadas, cem mil Reais. Fomos a uma festa este ano que foi um deslumbre, nem casamento eu já tinha visto tão chique, tão lindo e tão cheio de glamour. Minha filha ficou entediada. Meu marido, mal humorado. Eu deslumbrada e meu filho, por ter apenas três anos, ficou dançando na pista de dança.

Ontem, fui à festa de quinze anos de uma criança que vi nascer. Conheci a mãe dela quando ela estava na quinta série. Desde então, nossas histórias foram se construindo. Hoje, minha amiga tem quatro filhos, dois casais. Uma verdadeira benção. A pequenininha é uma surpresinha extra que chegou há quatro meses. No sanduíche entre as duas meninas, dois meninos maravilhosos. Quatro filhos lindos, inteligentes, educados. Não é fácil nos dias de hoje criar e educar um, imaginem quatro? É de tirar o chapéu.

Minha amiga é uma mulher batalhadora, dessas do tipo “Mariadocarmodasenhoradodestino”, que nada derruba. A bebê nasceu em fevereiro. Em março, o segundo filho completou oito anos e não deixou de ter sua festa, amorosamente preparada pela mamãe. Em abril, a bebê adoeceu, ficou internada e enquanto estava no hospital padecendo com a doença da pequena, se empenhava nos detalhes para a festa de quinze anos da mais velha.

Ontem tivemos a honra de participar do evento que foi a festa da minha querida “sobrinha”, a qual proibi de me chamar de tia. A festa foi linda. A família mora em um condomínio na Granja Viana, o que faz a diferença já pelo cheiro. Quando chegamos ao condomínio, já respirávamos outro tipo de ar. O tema da festa era “hippie”. A garotada toda vestida conforme o tema. Uma banda tocando música de verdade, não aquelas barulheiras “putz putz putz” que costumam ouvir. Os salgados não continham carne; além de hippies, a turma é vegetariana. O Buffet servia crepes dos mais variados sabores. Mas nada disso nos chamou tanto a atenção, como a decoração do salão. Cada detalhe foi minuciosamente planejado pela mãe, desde as florzinhas que decoravam até os banheiros, passando pelos arranjos das mesas, decorações de paredes e teto e terminando com as maravilhosas lembrancinhas.

Meu marido, apático e contrariado sempre em qualquer tipo de festa, curtiu tudo que pode. Só viemos embora porque tínhamos que vir. As crianças vieram da Granja até a nossa casa excitadíssimas, relembrando cada detalhe da festa. Minha filha fez o desfecho: “mamãe, se eu quiser uma festa de quinze anos, vai ser assim, uma festa legal, com gente legal e sem ter que ficar representando a Cinderela”. Ficou provado que o menos é mais, sendo que o mais é amor, o menos é o luxo. Até uma criança de nove anos consegue diferenciar o amor do luxo.

Minha amiga Andréa sabe o quanto a admiro e sabe também o quanto aplaudo o seu trabalho. Mas para a festa da minha sobrinha Natasha, fica aqui uma salva de palmas da nossa família!

3 comentários:

  1. Faltou uma fotinho das crianças, né? Mas falar nesse tipo de festa me lembrou do mico que vc me fez passar com aquela gravatinha borboleta - que só não era maior do que minhas orelhas. E a famosa dedada no bolo, que acabou sendo "dedurada" pela irmã?
    Já faz 20 anos, é? Caceta...
    love u

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  2. Sem exposição demais... senão já sabe, td mundo acha q tá sobrando...

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  3. Sem exposição demais... senão já sabe, td mundo acha q tá sobrando...

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