domingo, 10 de maio de 2009

Dia das Mães


Nunca escondi de ninguém minha repudia com relação às datas comerciais. Duvido que a grande maioria das famílias católicas ensine aos seus filhos o real sentido das datas mais comerciais, como a Páscoa e o Natal, lhes contado a história da simbologia do ovo ou o porquê dos presentes no dia que simboliza o nascimento do menino Jesus.

A última Páscoa foi mais um ataque desenfreado em busca de chocolates, que hoje são muito mais vendidos de acordo com o recheio: o brinquedo. Meu filho está até agora tão indignado que não ganhou todos os ovos que queria (ou todos os brinquedos contidos nos ovos), que hoje mesmo me perguntou se a Páscoa demora.

Natal é a mesma coisa, um ataque massivo às crianças, que não estão mais livres das propagandas nem nos canais pagos. Todo esse excesso de informação acaba por causar frustrações nos pequenos, se suas cabecinhas não forem muito bem trabalhadas.

Hoje temos o dia das mães. Minha filha ganhou de mim, há umas duas semanas, uma nota de R$ 10,00. Todo dinheiro que dou a ela, evapora no dia seguinte. Mas esse estava durando, durando, escondido a sete chaves no fundo da sua caixinha de maquiagens. Quinta-feira, ela chegou da escola dizendo que já tinha comprado meu presente de dia das mães. Não dei importância, achei que era a lembrancinha da escola. Passou uma hora e lá veio ela com uma lapiseira, mostrando-me que tinha borracha, a ponta era do jeito que eu gostava e ela ficou bastante duvidosa quanto a cor, mas se eu não gostasse daquela, ela pediria ao tio da papelaria da escola para trocar. Claro que o gesto foi lindo, foi comovente. Mas foi um resultado do apelo comercial ao dia.

Não comprei presentes para minha mãe ou minha sogra, assim como faço todos os anos. Não preciso de uma data para presenteá-las. Quando vejo algo que sei que agradaria a uma delas e tenho condições, compro. Meu marido ainda costuma dizer para guardar para a tal data especial. Para mim, todos os dias são dias importantes para presentear quem amamos, da forma que podemos.

Dia das mães e dos pais, em particular, são os que mais me entristecem. As escolas dos meus filhos não comemoram essas datas, apenas elaboram lembranças feitas com ajuda das crianças para enviar aos pais. Há escolas que criam grandes eventos, transformando as crianças em pequenos títeres para encenar verdadeiros espetáculos circenses nessas datas. Há aquelas que choram, que tem vergonha, que se sentem inseguros, que não ficam confortáveis com as palmas da platéia ao final do show.

Porém, o maior problema dessas duas datas em especial é outro, que vai além do comercial. O problema é que nem todo mundo tem pai e mãe. Há quem pense que só gente grande não tem pai e mãe, ou só crianças pobres e órfãs tem a infelicidade de não tê-los. A morte não escolhe classe social. Deus escolhe a hora de cada um partir. Para crianças órfãs, seja de pai, seja de mãe, é dolorido demais viver não só no dia do pai ou no dia da mãe, mas também nas longas semanas que antecedem o segundo domingo dos meses de maio e agosto.

Há dois anos, dois dias após o dia das mães, perdi meu pai. O mês de agosto de 2007 foi mais difícil que os dias pós morte, pois todo e qualquer lugar me fazia viver a dor e sofrimento da perda. Há poucos dias, uma amiga querida perdeu sua mãe, também de forma repentina. Ela já está sofrendo antecipadamente as dores profundas que terá que enfrentar o dia de hoje.

Semana passada, meu filho de três anos me perguntou: “mamãezinha quilida, o que você quer ganhar no seu dia das mamães?”. Respondi a ele o que acredito, profundamente, que toda mãe, assim como eu, queira ganhar, não só no dia das mães, mas também nos outros 364 dias do ano: saúde para meus filhos, a união entre eles e o respeito deles por mim, por meu marido, por todos os familiares e, principalmente, pelo mundo que lhes oferece muito mais do que pacotes embrulhados.

Fica meu desejo de feliz todos os dias para todas as mulheres que foram sorteadas divinamente com a maternidade, pois só quem tem a difícil missão de educar e criar um filho para o mundo nos dias de hoje, é capaz de entender que todos os dias são dias das mães!

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