quarta-feira, 20 de maio de 2009

Cultura de rádio


FOTO: www.silbachstation.com

Tem dias que ouvimos coisas apenas para entender que muitas coisas no mundo, apesar de ridículas, se tornam engraçadas. Voltava para casa escutando o Milton Jung na CBN. Peguei o bonde andando e não entendi se era a opinião dele ou se era carta de algum ouvinte, mas falava-se sobre a cobrança de pontos adicionais por parte das operadoras de distribuição de serviços de televisão via cabo. A questão era a seguinte: imaginem se as distribuidoras de água cobrassem pelo número de torneiras adicionais instaladas na residência? Ou se as distribuidoras de energia elétrica cobrassem valores adicionais pelo uso de mais lâmpadas (e eu complementei meu raciocínio, pensando no uso do benjamim)? Até o caso das extensões telefônicas foi citado na reportagem.

Abasteci o carro, passei no mercado, fui buscar as crianças e ouço outra coisa que me chamou a atenção. Um ouvinte, morador de um condomínio, usuário da piscina diariamente, reclamava contra a síndica que, de maneira arbitrária, resolveu que o seu local de lazer seria fechado nos meses de junho e julho, para contenção de despesas. O desolado nadador decidiu que não pagaria sua cota mensal de condomínio ou faria o pagamento proporcional aos serviços usados. Foi aconselhado por uma pessoa da área jurídica a pagar a taxa cobrada e tentar um acordo para o uso da piscina, caso contrário, iria parar na justiça como mal pagador. É a famosa história de muitos deveres e poucos direitos.

Morar em condomínio é um dos maiores exercícios de paciência que um ser humano pode experimentar. Conviver com o próximo é difícil, uma vez que cada indivíduo é diferente do outro. Quando se juntam várias famílias, com rotinas, hábitos e necessidades diferentes, obrigadas a compartilhar do mesmo espaço comum, sejam ou não de lazer, é preciso de sabedoria e inteligência para não haver desgastar com os problemas gerados.

Já morei em um lugar onde os moradores dividiam a conta de água do prédio pelo número de moradores. Cada apartamento pagava o referente ao número de pessoas que habitavam sua unidade.

No condomínio em que moramos têm piscinas, sauna, playground, quadra, academia, salão de festas, churrasqueira. Em quatro anos como moradora, usamos uma vez a churrasqueira e por duas o salão de festas. Mediante pagamento de uma taxa. Fui uma única vez à piscina. Minha filha, no máximo meia dúzia de vezes. O playground, que só pode ser usado por crianças até dez anos, costuma estar tomado pelos “aborrescentes”. Há pessoas que usam das minhas vagas na garagem para descarregar compras. Assim, quando chego a minha casa, sou obrigada a esperar para poder estacionar. Na minha vaga. Nas áreas comuns, não é permitido andar de bicicletas. Mas pessoas usarem de palavreado de baixo calão podem extravasar toda a sua fúria sob minhas janelas. Nunca pisei na quadra, que fica no segundo subsolo e só passo por lá a caminho da garagem. Nem sei como é a sauna. As mobílias das piscinas são constantemente trocadas e eu contribuo para que tudo seja sempre novo, para que meus vizinhos desfrutem e quebrem quando julgarem necessário. Tive diversos problemas com o som do salão de festas, o qual moro em cima. Durante três anos, primeiramente pedia para que abaixassem o som. A convenção do condomínio é muito clara: o som é permitido em qualquer volume que não atrapalhe o descanso dos outros moradores e proibido após as 22 horas. Um dia, após ter pedido por oito vezes para que baixassem o som e meu filho chorando de susto, sem zelador, sem síndico e sem qualquer providência por parte dos seguranças do prédio, chamei a polícia. Claro que fui achincalhada pela molecada, o que mais uma vez prova que os pais estão cada vez mais desinteressados pela boa educação dos seus filhos e pelo cumprimento das regras, que fazem com que haja o bom convívio coletivo.
Úrsula Hummel

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