sexta-feira, 15 de maio de 2009

A dor da saudade


Qual a maior dor que alguém pode sentir?

A dor da impotência, perante os acasos da vida, a dor da saudade, que é uma dor infinita e que só finda com um abraço forte, muitas vezes proibido pelo destino, se tornando uma dor sem cura.

Quantos enfermos não convalescem anos e anos por suas dores físicas? Com a ciência ou o poder aquisitivo, muitas dores podem ser curadas. Quando culminam com o fim derradeiro daquele sofrido ser, sua dor se finda também, deixando então a verdadeira dor para aqueles que seguirão seus caminhos.

Hoje faz dois anos que aprendi o que é a dor. Não foram as crises de sinusites que me acompanharam desde a infância, me causando dores de cabeças horríveis; não foram as crises de enxaqueca que me acompanharam e me acompanham, me levando diversas vezes ao mais profundo delírio, achando que fechar os olhos e nunca mais abri-los, acabará de vez com meu martírio; não foram as duas gestações difíceis, o medo do parto e as dores que me acompanharam durante os resguardos; não foi a dor de ter um namoro terminado, ou a traição de um amigo o qual muito amava.

Há dois anos, aprendi o que é a impotência. Não é estar desempregado, com filho para sustentar, sem ter com quem contar e se desesperar perante a situação; não é ter sonhos frustrados, planos inacabados ou desejos não realizados.

Há dois anos, estava me preparando para dormir, me programando para as férias de julho com toda a família reunida, para levar meu bebê para conhecer o vovô. E tive a notícia de que aquelas férias nunca chegariam, pois de maneira repentina e inesperada, meu pai havia partido, sem despedir-se de mim, sem dizer que me amava pela última vez, deixando tantos assuntos inacabados e tantas coisas pela frente para vivermos.

Foi assim que aprendi e descobri, através de um sofrimento infinito, o que é a verdadeira dor. É a saudade que sinto do meu pai todos os últimos setecentos e trinta dias, e que durarão por quantos dias eu ainda viver, pois para a dor da saudade, não há cura nem tratamento para amenizá-la.

Paizinho, saudades sempre de você, da sua voz, dos seus conselhos, da sua sabedoria, da sua humildade e do seu amor. Continue na companhia divina e sempre na paz que você viveu aqui por cinquenta e um anos. Amo você.
Úrsula Hummel

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