sábado, 23 de maio de 2009

23 de Maio


Muitas pessoas moram em São Paulo por necessidade; outras, por anor a esta terra tresloucada, poluída, tomada 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano por um trânsito caótico. Sou um misto dos dois tipos de gente, moro em São Paulo pela necessidade de meu marido trabalhar por aqui hoje, mas também amo a diversidade que a cidade oferece, seja cultural, seja social, seja econômica. Há, porém, uma coisa particular que amo em São Paulo: a avenida 23 de Maio.

A primeira vez que dirigi naquela avenida, me senti importante. Gente grande mesmo. Um símbolo de que eu já era adulta de verdade. Não foi uma ocasião muito feliz, pois estava indo para o Instituto Dante Pazzanezze, ao velório da minha priminha de quinze anos que havia falecido aquela madrugada, por complicações cardíacas. Mesmo assim, enfrentei a fúria da avenida e lá fui eu, saindo da zona Norte rumo à Sul, sem ter idéia de como fazer para passar para o outro lado. Atravessei pelo canteiro central. Dei uma estouradinha no escapamento do carro, mas cheguei, sã e salva.

A 23, como é conhecida pelos Paulistanos, é uma das áreas mais movimentadas da nossa cidade e o principal corredor que liga as zonas Norte e Sul. Em um passado distante, ali passava um córrego, o Itororó, canalizado para passar a linda Avenida.
Seu nome tem significado histórico para os paulistanos. Foi ali, no início da 23 de Maio e neste mesmo dia em 1932, que quatro estudantes da USP foram vítimas por lutar pela revolução constitucionalista.

Tragédias a parte, a 23 de Maio me remete a glamour. Lembro-me da infância, quando ia para a casa da minha tia, em Moema, que passava por lá e via um barco enorme em meio a Avenida, a antiga danceteria Latitude. Achava aquilo um ícone de riqueza. É por lá que passei tantas e tantas vezes, rumo ao aeroporto de Congonhas, em viagens a trabalho, poucas vezes a passeio, outras tantas para embarcar meu marido. A avenida 23 de Maio é o meu cartão postal da louca cidade que não para nunca e que me oferece tudo que preciso, salvo segurança e um ar puro. O resto é só felicidade.
Úrsula Hummel

3 comentários:

  1. Faltou dizer que era o caminho que vc fazia pra ir à minha casa. Exceto que... vc não ia à minha casa...

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  2. Putz MV, sem contar que aquele flat q vc ia morar em Moema, ao lado de casa, quase foi demolido por uma colisão com um avião... bom, qt a ir a sua casa, como vc nunca estava lá, o jeito era só passar em frente...

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  3. Putz MV, sem contar que aquele flat q vc ia morar em Moema, ao lado de casa, quase foi demolido por uma colisão com um avião... bom, qt a ir a sua casa, como vc nunca estava lá, o jeito era só passar em frente...

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