quinta-feira, 9 de abril de 2009

Um sufocado grito coletivo


Palhaçada. Ou se alguém encontrar uma palavra mais sutil para descrever o que minha faculdade representa na vida dos seus alunos, a mesma será bem vinda.


Ao todo, estou no sétimo ano na mesma instituição de ensino. Cursei Ciências Jurídicas de 1998 até 2001. Desde 2007, faço parte da turma de uma das Licenciaturas do matutino. No período de onze anos, vi tanta mudança acontecer, que chega até ser absurdo pensar nelas. Sei que o mundo nos dias de hoje passa por mutações constantes. Por mais que uma instituição de ensino seja uma prestadora de serviços, ela presta serviços de educação, e mais importante ainda, lida com pessoas. Pessoas têm opiniões, desejos, sentimentos, frustrações e, no caso de nós, alunos, a pior de todas as sensações, a de impotência.

Dentre as inúmeras mudanças vividas, acho que as piores estão sendo neste ano, se bem que o pior é sempre aquilo que se vive no momento, e no próximo ano, só Deus sabe o que tem pela frente. Quem viver, verá.

Como clientes de uma empresa, a única coisa que nós, alunos, temos direito, é a pagar a mensalidade na data do vencimento. E ai de quem não o fizer. Já vi aluno impedido de entrar no campus depois das férias de julho, por ter a mensalidade atrasada no primeiro semestre; antigamente, as renovações de matrículas eram semestrais, independente de o curso ser anual ou não.

1. No novo sistema, temos apenas uma avaliação por semestre, de cada uma das disciplinas. O calendário oficial marca o início das avaliações em quinze de junho. Os horários afixados nas salas de aula marcam como início o dia dez do mesmo mês.


2. Em 2008, incluíram após um, dois meses do início das aulas, uma matéria para ser cursada online. No mesmo período, todos os 60.000 alunos que a instituição tanto se orgulha de dizer que tem (e que tanto se esquivam em dizer onde estudam) foram arbitrariamente impedidos de usar os computadores dos campi. Durante o ano, tive dez avaliações, com datas máximas para serem imputadas cada uma delas, mas o prazo de cada uma foi prorrogado diversas vezes, afinal, era um teste. Não havia uma alma viva sequer que pudesse sanar quaisquer dúvidas dos alunos e a matéria não serviu de nada, para ninguém.


3. Durante três anos, as turmas são obrigadas a assistirem às aulas dos mesmos docentes. Tudo bem, em se tratando de algum profissional qualificado, mas não é apenas diploma que qualifica um profissional. Tudo que se “prega” (às vezes aquilo realmente parece um templo) nas aulas de Didática, Metodologias, Fundamentos, Psicologia, é tudo blábláblá. Na prática, a coisa é uma desordem que só. Há professores ruins, despreparados, que obrigam os próprios alunos a prepararem suas aulas, por preguiça, por vagabundagem, por incapacidade. E usam do seu poder de dar nota para, mais uma vez, coagir os clientes da instituição.


4. Há um veículo semanal, distribuindo gratuitamente (e é bom a turma aproveitar, pois uma instituição de ensino que nem os boletos para pagamento fornece aos seus alunos...) e ao virar a primeira página, encontramos o endereço eletrônico intitulado “fale com o reitor”. Só eu já enviei inúmeras vezes correspondência para o tal endereço. Como tenho confirmação de leitura de mensagens, já recebi após muitas semanas uma mensagem que dizia que aquele texto de reivindicação ou reclamação que mandei foi DELETADO SEM LER. Caso eu comece a citar tantos colegas que já tentaram ser ouvidos pelo falso canal de comunicação, não terminarei o texto em tempo hábil para a próxima mudança.


5. A instituição se orgulha do seu sistema de avaliação de primeiro mundo. Só se for o primeiro mundo no reino do inferno. Cada professor elabora três avaliações diferentes para cada disciplina que leciona e as imputa em um sistema. Para o dia D, é sorteado (?????) uma avaliação dentre as tantas daquela mesma matéria, para uma determinada turma. Justificativa: em um concurso, o aluno fará provas um professor com o qual nunca teve contato.


Ponto 1: não estou prestando concurso e nem sendo testada, sou aluna e estou lá para aprender. Pago em dia e pago caro. Não podemos nos esquecer do nível econômico do povo brasileiro.

Ponto 2: as avaliações vem com um visto da coordenação, que deve ser composta por um monte de analfabetos, devido aos erros crassos encontrados, seja de digitação, seja de concordância, mas, principalmente, de coerência e coesão; sem falar nas questões repetidas e que muitas vezes, precisam ser anuladas.

Ponto 3: aqueles professores frustrados que sonhavam em ser alguém na vida e viraram simplesmente professores, se acham no direito de usar do seu suposto poder para coagir os alunos, ameaçá-los e inibi-los. Isso é didático?

Ponto 4: os alunos, a partir do semestre passado, ganharam o direito de levar suas avaliações para casa, o que anteriormente não era permitido. Há dia e hora marcada para a busca do documento e, segundo informações da coordenação que troca semanalmente, quem não chegar no dia, literalmente dança. Acho que o reitor, em seus anos de faculdade, não aprendeu sobre um instrumento jurídico chamado”habbeas data”. Para bom entendedor, o dito aqui já basta.

As perguntas no ar:

1. Por quê estou escrevendo sobre isto? Há algum tempo, colegas de outros campus, do meu campus, da minha turma, vem me pedindo uma forma de protesto mais explícita. Aqui está ela. Vai adiantar alguma coisa? Claro que não. Quem não está satisfeito, vá embora.

2. Se tudo é tão ruim, o que me faz ainda estudar lá? A proximidade da minha casa, afinal, são só três quarteirões. Apesar de tanta coisa ruim, tenho professores maravilhosos, humanos, humildes, conhecedores do verdadeiro significado de ser professor. E é por eles que ainda passo lá minhas manhãs.

É isso aí, caros colegas otários. Acho que faltou coesão em alguns momentos, mas escrevi sem correção, sem voltar atrás, como se o coração estivesse com uma caneta, conectado diretamente ao meu cérebro, psicografando tantas lamúrias que ouço por todos os lados. E caso tenha erros de português por aqui, fiquem despreocupados. A professora falou com todas as palavras para “sentar a bunda na cadeira”, caso não soubéssemos algo daquilo que fomos lá para aprender e que, segundo suas palavras, “já deveríamos chegar lá sabendo”. O pior é pagar para ouvir coisas assim...


Se alguém quiser saber mais sobre o circo, me escrevam. Respondo diariamente todas as mensagens que recebo.


5 comentários:

  1. Aquela faculdade é uma merda, as pessoas só estudam ali por falta de opção, por proximidade de casa ou pq são bolsistas.

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  2. Aquela faculdade é uma merda, as pessoas só estudam ali por falta de opção, por proximidade de casa ou pq são bolsistas.

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  3. Como se diz no meu campus, esta bosta de faculdade vende diploma em prestações financeiras e morais.

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  4. Panda, já que o fale com o reitor é falso, mete a boca no trombone hoje. Aproveita a visita do MEC e conta que bosta que é a Uniban

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  5. Ao término da reunião, a galera só não foi para a pizzaria pq era hora do almoço, mas tudo terminou em P I Z Z A

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