quinta-feira, 2 de abril de 2009

Recebendo o diploma


Eu e meu marido somos ambos os filhos mais velhos e temos um casal de irmãos. Graças a Deus, meus pais e sogros tiveram cada casal três filhos diferentes, todos com qualidades e defeitos e com uma longa jornada de crescimento e aprendizado pela vida.

Sai de casa aos dezoito anos e acredito que, desde então, não dei mais trabalho ou preocupações para meus pais, seguindo meu caminho. Meu marido foi embora aos dezessete, quando ingressou em uma universidade estadual, e saiu de lá graduado, pronto para ganhar o mundo, não voltando para a casa dos seus pais.

Tanto minha mãe como minha sogra já vieram algumas vezes desabafar problemas a respeito dos meus irmãos e cunhados e disse para ambas as mesmas coisas: eles podem ter peculiaridades que nos achamos no direito de julgar como defeitos, mas não são. Todos eles cresceram, sem nunca se envolver com nenhum tipo de entorpecentes, sem se entregar a quaisquer vícios e sempre andando com pessoas de bem, trabalhadoras e honestas.

Hoje encontrei uma pessoa muito querida, alguém que já prometeu até ir ao cartório me adotar como filha, tamanho o carinho que temos, e alguém que me deu o colo mais confortante quando perdi meu pai. Essa pessoa é mãe de três filhos, sendo o mais velho casado, sem filhos, e o mais novo com seus dezoito anos.

Sua primeira pergunta, ao me encontrar, foi sobre meu irmão. Comentou que já tinha um ano que ele havia partido e queria saber se ele voltaria. Disse que não, ao menos agora. Contei do acidente da minha filha e ela me confidenciou as incontáveis vezes que seus três moleques se acidentaram, com fraturas graves e nos mais diversos lugares.

O ponto alto da nossa conversa foi quando ela me contou das suas noras. O filho já casado visita-a constantemente e sua norinha liga para ela, dizendo que tem saudades da sua companhia. O do meio namora já há dois anos e meio e namora uma moça encantadora. O caçula levou para casa, neste final de semana, a primeira namorada. Uma menina de boa família, católica praticante, que só permite que a filha namore em casa.

Seus olhos brilhavam ao contar dos três casais de filhos e eu me emocionei. Há muito tempo ouço pessoas dizendo que filhos crescem, casam-se e partem para a casa de suas esposas e respectivas famílias. Acredito que por tal motivo, relutei tanto com a idéia de ter um filho do sexo masculino: perdê-lo para alguém.

Ela me disse que isso é pré-conceito, criado pela sociedade e que não tem fundamento. O que faz os filhos permanecerem ao nosso lado é o amor e carinho com os quais são criados, transmitindo a eles uma relação de confiança eterna, de modo que eles nunca consigam se distanciar dos seus pais.

Sonhamos com nossos filhos crescidos, formados, encaminhando suas vidas, realizando suas conquistas, chegando a nossa casa com aquela pessoa que escolheram para passar parte de suas vidas, com brilho nos olhos, amando e sendo amados.

Quando os filhos são crianças, priorizamos seus estudos, educação, higiene, princípios e valores. Na vida adulta, o que vale é apenas uma coisa: a felicidade de cada um. É quando recebemos o diploma de pai e mãe, tendo a certeza de que mesmo sem professor, sem cartilha ou livro didático, conseguimos a proeza de formarmos cidadãos de bem.

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