quarta-feira, 8 de abril de 2009

O que vou ser quando crescer

O trajeto da nossa casa até o consultório da pediatra dos nossos filhos não chega a ser longo. Mas sair de Santana e ir até o bairro de Pinheiros, em dias de trânsito caótico, é um grande sacrifício, que vale a pena. A Dra. Maria Helena está na família há alguns anos e tenho nela a mais profunda confiança.

É importante estabelecer um vínculo com o profissional que cuida da saúde dos nossos filhos. No começo, achava-a muito seca, rude demais no trato com as crianças, mas nunca questionei sua capacidade profissional. Com o tempo, aprendi a gostar dela mais e mais. O fato de ela estar diariamente dentro de um dos maiores hospitais do nosso país, como médica e professora, faz com que ela seja uma profissional sempre atualizada.

Atualmente, ela é muito mais que nossa pediatra, é nossa amiga e acabou virando minha médica e consultora para assuntos aleatórios ou de saúde.

Hoje, conversávamos sobre a morte precoce dos homens. Percebo que um número grande de amigas, assim como eu, são órfãs de pai e as mães esbanjam saúde. Questionei aquela história sobre o aborto espontâneo nos três primeiros meses de gestação; dizem que quando o feto é do sexo feminino, suas chances de vida são inúmeras vezes maiores e achava que tudo era apenas lenda.

É fato, estudado e comprovado. As mulheres são mais fortes, não na vida, não no ventre, mas quando ainda são "apenas" o cromossomo X. A explicação da doutora foi fantástica, o que me fez dar boas risadas por achar que era brincadeira, mas não era. O cromossomo Y é o cromossomo X que perdeu um dos membros. Achei demais.

Ontem, meu filho estava brincando de carrinho e me disse que queria ser motorista do bombeiro quando crescer. Dei risada e perguntei a ele por quê não ser médico como a doutora Maria Helena. A resposta foi demais; na língua dele, com as trocas fonéticas que os seus três aninhos de vida ainda permitem, me disse que se fosse motorista do bombeiro, precisaria apenas comprar um caminhão. Já para ser médico, teria que comprar um balde de água, uma cama, palitos de colocar na boca e muitos brinquedos para as crianças brincarem enquanto esperam sua vez de serem atendidas.

É isso aí. Anos e anos e anos e mais ainda muitos anos de estudo, dedicação e pesquisa, transformaram a vida profissional da nossa querida doutora em um amontoado de palitos e brinquedos. Ponto para os bombeiros!

p.s.: parabéns hoje para a Nanda, irmã dos meus primos.

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