domingo, 19 de abril de 2009

O que você quis dizer com isto?



Ontem a noite, comecei a preparar um post sobre interpretação de texto. Eis uma coisa chata, dúbia e paradoxal, pois é muito legal interpretar um texto. Sacou? Deixa-me explicar:

Depois de alguns anos de estudo linguístico, aprendemos a enxergar as coisas de uma maneira que nunca é a real, uma visão nunca é igual a outra e aquilo que o autor escreveu nunca é aquilo que está escrito. É a tal interpretação, é quando os professores viram para os pobres alunos, muitas vezes ainda lá no Ensino Fundamental e perguntam: “o que o autor quis dizer com isto?”

Caramba, posto que a vida não é uma eterna metáfora, essa pergunta deveria ser terminantemente proibida, salvo quando o texto viesse acompanhado do e-mail ou do blog do escritor, para que a pergunta fosse feita diretamente ao próprio. Caso contrário, como podemos dizer o que o autor quis dizer com aquilo que escreveu? Definitivamente, impossível. É a tal liberdade de interpretação.

Hoje, enxergando as coisas com a visão muito mais crítica do que a que sempre tive (e já achava o estopim da criticidade), percebo que no fundo, todo texto é uma crítica social. Basta olhar bem, buscar aquela lupa que existe dentro de nós e procurar bem procuradinho nas entrelinhas para encontraro que estou dizendo. Até em crônicas, cujas críticas são explícitas e escancaradas, existe ainda algo mais implícito do que aquilo que realmente está sendo dito.

Falando em crônicas, sábado é sempre um dia feliz. O porteiro avisa que a revista Veja chegou e está na portaria. Minha filha corre para buscá-la e eu abro a última página da Veja São Paulo para ler a crônica, ou do Walcyr Carrasco ou do Ivan Ângelo. Amo de paixão. Sinto como se os dois fossem meus melhores amigos de infância e escrevessem exatamente sobre coisas que conversamos; é como se fosse uma homenagem a nossa amizade, escrevem para me deixar feliz. Mesmo que nem sequer nos conheçamos, eles atingem seus objetivos implícitos e me deixam feliz.

Mas quando retomei o texto de ontem, sobre interpretações, foi exatamente pelo fato de, na minha leitura matinal de blogs, ter encontrado um dilema no blog do meu irmão. Quem se sentir curioso e quiser saber qual é, basta ajudá-lo a solucionar um grande problema que o assola; o texto se chama “Domingo”. E bom domingo à todos. (http://madrugaemclaro.blogspot.com/)


Um comentário:

  1. Notei que até na figura que vc botou aqui, o cachimbo aparece como se tivesse um pé, e não como se fosse pedido. E daí lembrei tb que quando era criança não tinha internet, então... talvez eu nunca tenho lido esse texto antes...

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