quarta-feira, 1 de abril de 2009

Aparece lá em casa

foto: www.imagens.google.com.br
Tenho uma tia que na verdade nem é minha tia. Ela foi casada com o irmão mais velho do meu pai por muitos anos e, apesar da separação, os dois são muito amigos. Ela é minha tia mais próxima e por ser mexicana e ter toda a sua família em outro país, falo que sou sua única sobrinha de sangue.

Parentescos a parte, o que vou falar sobre minha tia é cultural. Quando chegou ao Brasil, em meados década de oitenta, iniciou aqui o seu círculo social e com muita freqüência, ouvia as pessoas dizendo “vai lá em casa”, ou então “aparece em casa”. O fato de ser a ovelha negra de uma família muito tradicional não apenas na Cidade do México, mas em todo o país, não a fez perder a educação e os bons costumes com os quais foi criada. Ela realmente ia à casa das pessoas. E não raramente percebia seus anfitriões com a fisionomia de poucos amigos. Começou a estranhar tal comportamento e com o passar do tempo, percebeu que tal convite não era verdadeiro, era apenas uma forma de dizer qualquer outra coisa, menos para realmente aparecer nas casas das pessoas.

Ontem, minha amiga Jaquerida veio em casa e estávamos falando sobre o assunto. Ela disse que é “convite de sulista”. O tal “aparece em casa” só é verdadeiro quando marcamos dia e hora certos para receber alguém. Por mais que as pessoas tenham liberdade umas com as outras, existe certa falta de educação em aparecer toda vez que se recebe o convite sulista.

É gostoso receber pessoas queridas nas nossas casas. Infelizmente, devido ao ritmo tresloucado imposto às vidas das pessoas, sobra muito menos tempo do que gostaríamos para receber e visitar aqueles os quais gostamos de estar perto. Acho que amigo que é amigo, tem liberdade para aparecer sempre que quiser, puder e precisar. Amo estar em casa com pessoas queridas, esparramada no chão em meio às almofadas e dando boas risadas.

Eu não sou sulista, portanto, quando falo para alguém aparecer em casa, estou abrindo as portas não apenas do meu lar, mas do meu coração, para estar por algum tempo batendo papo e matando as saudades daqueles que gosto. Minha casa é simples e pequena, mas meu coração é gigante e sempre cabe mais um; estarei sempre com meus braços abertos. E você, vai aparecer?

4 comentários:

  1. essa é ótima! visita indesejada é pior que pernilongo.
    adorei!

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  2. Cala a boca pq eu vou até sua casa levando minha penca de filhos... he he he... seus sobrinhos! bejundas

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  3. Ursinha ir na sua casa é uma alegria, pena que o relógio não pára.
    Beijinhos

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  4. Jaquerida, deixa o relógio para lá, volte mais vezes. Beijinhos

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