sexta-feira, 17 de abril de 2009

A simplicidade do ontem e o glamour de hoje


Cheguei em casa com as crianças e comecei a viver aquela nostalgia que invade por tantas e tantas vezes o meu pensamento. Lembrei-me das festas de aniversário da minha infância: tínhamos refrigerante, que dependendo da situação, eram da Coca-Cola ou os genéricos; na ala dos doces, brigadeiro e, quando muito, beijinho; o bolo – feito pela mãe do aniversariante ou por uma tia que se julgava boleira; sanduíche de carne louca – quando dava, compravam-se mini pães, mas na maior parte das vezes, era o pão francês dividido ao meio; cachorro quente, também no pão francês cortado ao meio; e sanduíche de pão de forma com sardinha em lata. Ah, que delícia.

Naquele tempo, saquinho surpresa vinha com meia dúzia de brinquedinhos e fazia a criançada feliz. Mas também era artigo de luxo. Nas festas com saquinho surpresa, também costumavam ter bandeirinhas, sobre a mesa do bolo, escrito F E L I Z A N I V E R S Á R I O. Quem tinha mais dinheiro, também costumava comprar “roupas” de papelão para encapar as garrafas de guaraná. As festas mais simples serviam suco, o verdadeiro Ki-Suco, porque Tang também era algo mais burguês. Na minha infância, festas com coxinhas e bolinhas de queijo eram festas de quem tinha muito dinheiro.

O tempo passou e a tradição das festas de aniversário em família começaram a desaparecer. Aniversário infantil passou a ser evento. Contrata-se um lugar especializado para fornecer a alimentação, o local e alguns brinquedos. Por fora, os pais correm atrás de lembrancinhas (que muitas vezes custam mais caro que o presente que o convidado deu ao aniversariante), apetrechos diversos para a hora da balada; tem o tatuador, o maquiador, o mágico, a retrospectiva, as lembranças para os adultos (é, nas festas de hoje, eles também tem sua vez). Escolher o cardápio também é muito difícil, pois geralmente, há uma gama de trinta salgados para que sejam escolhidos apenas quinze tipos; o mesmo acontece com os doces e os sabores para o bolo. Escolhe-se entre servir massa ou prato quente. Se a escolha for massa, tem a opção entre recheada ou simples. Em ambas, há que se escolher os tipos de molho e guarnições que acompanharão a refeição principal. Quase me esqueci da mesa de guloseimas, com infinitas opções de pirulitos, balas, bombons, chocolates, merengues, suspiros, amendoins e ao lado dela, a mesa de café para adultos, com várias opções de mini tortas e, algumas vezes, o café.

Confesso que adoro festa de aniversário de criança e não perco uma. Gosto de ver a alegria das crianças, a emoção que cada pequeno ser tem ao sentir que é o personagem principal de toda uma produção. As meninas adoram vestirem a roupa das princesas para a hora do parabéns; os meninos, geralmente, rendem-se aos super-heróis, mas geralmente são mais tímidos e não exibem tantas performances.

No final da festa, os pais saem do Buffet com o carro carregado e, normalmente, as coisas não cabem em um único automóvel. Ao chegar em casa, são horas para poder abrir todos os presentes, anotar em uma folha de papel cada nome e o presente recebido, para poder enviar ao convidado um cartão de agradecimento, por sua gentileza e presença. E quando tudo acaba, as crianças já começam a pensar no tema do ano que vem.

Particularmente, sinto muitas saudades das festas de infância e gostaria muito de fazer com que meus filhos sentissem alegria por ter uma festa daquelas, com o Ki-Suco, o bolinho caseiro, a carne louca e o sanduíche de sardinha. Aliás, toda essa conversa começou por conta da minha vontade de comê-los. Não tem Ki-Suco, mas uma tubaína ajuda a descer. Que cheiro de infância.

p.s.: como na escola da minha filha só é permitido levar pedaços de bolo fatiados para a comemoração dos aniversários, há sempre as mães que inovam e hoje, a “lembrancinha” de um aniversário de nove anos foi um walkman!

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