quinta-feira, 16 de abril de 2009

A sétima arte


Tudo bem que meus filhos me amam e tenho plena certeza desse amor. Tudo bem que existem mães por aí que não chegam aos meus pés. Mas tenho de convir: estou longe de ser o modelo ideal de mãe que eu gostaria de ser.

Acho que crio meus filhos com uma maturidade muito maior do que a necessária para eles; preocupo-me excessivamente com a qualidade dos seus estudos, com o futuro dos dois e assim, a infância vai passando.

Não sou aquele tipo de mãe que brinca todos os dias, que senta no chão para brincar de tinta, de massinha, de picar papel. Sei que tudo isso é fundamental, é essencial para o crescimento saudável deles. Ao invés disso, o que eu faço? Levo-os para passeios culturais, ensino músicas diferentes, fazemos aulas de inglês e espanhol juntos, sempre de forma lúdica, mas não deixam de ser aulas, adoro levá-los ao cinema.

Bom, o cinema já vira uma história à parte. Até bem poucos anos, eu não gostava de ver filmes. Acho que até os vinte e cinco anos de vida, não tinha assistido a vinte e cinco filmes ao todo. De repente, descobri que a minha falta de informação em tantos assuntos da vida e do mundo, vinham da minha deficiência cinematográfica. Foi quando dei início a uma nova etapa rumo a maturidade. Passei a freqüentar com afinco a videolocadora do bairro. O dono, colega de infância, passou a entender o estilo de filme que eu gostava e fazia ótimas indicações. Quando nos mudamos para o Alto de Pinheiros, descobri outra videolocadora pertinho de casa, com preços baratinhos. Na época, meu marido trabalhava para a Zona América e passava muito pouco tempo no Brasil. Eu não estava trabalhando e havia trancado a matrícula do curso de Direito no último ano. Aproveitei então todo o meu tempo livre para assistir a muitos filmes.

Vou quase que todas as semanas ao cinema com as crianças. É o meu programa favorito e sei que eles curtem muito. Agora, com a promoção no primeiro dia útil da semana, pagamos a bagatela de R$ 4,00 para os três. Dá para acreditar?

Meus filhos sabem pela ordem os próximos lançamentos do cinema e aguardam ávidos pelas novidades. Posso até não brincar de massinha e de tinta, mas tenho certeza de que alguma sementinha especial está sendo plantada na memória dos dois.

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