sábado, 14 de março de 2009

Vícios ocultos


Não ter equilíbrio e ser desequilibrado tem o mesmo significado? Quando dizemos que alguém não tem equilíbrio, a mim remete uma pessoa com alguns problemas para manter a estabilidade. Já a pessoa desequilibrada soa pejorativo, é como dizer que alguém não tem controle algum sobre seus atos.
Estou buscando em qual das duas categorias me encaixo, mas acho que sou uma desequilibrada total. Não conheço o meio termo e vou do ápice ao nadir em questão de segundos, sendo intensa em tudo que faço. Quando falamos em vícios, logo enviamos nossos pensamentos aos narcóticos ou ao álcool, porém, em um segundo instante, basta um pouco mais de reflexão para saber que vício é tudo que é intenso demais em nossas vidas. Eu, por exemplo, não consigo ficar sem computador e isso é um tremendo vício.
Quando fui morar em Portugal, tenho certeza de que entrei em pânico pelo fato de não ter computador disponível. Morávamos no Novotel, em Lisboa, e naquela cidade tudo é muito difícil para quem vem da cosmopolita São Paulo. Se bem que eu vinha de Santiago, no Chile, uma cidade que, assim como a nossa querida São Paulo, funciona 24 horas. Depois que nos mudamos para o Monte Estoril, tinha computador disponível no hotel, mas só comecei a me sentir medicada para minha síndrome de abstinência, quando meu marido me presenteou com um computador portátil. Foi um divisor de águas na minha vida, tanto que hoje, cinco anos depois, ainda guardo aquele velho brinquedinho no baú do túnel do tempo, com amor e carinho, com sua carcaça intacta e sem qualquer risquinho.
Há uma infinita lista de vícios, que passam por jogos, drogas, remédios (outra forma de vício oculto), comida (preciso confessar, sou viciada em açaí), até ver televisão demais é um vício. Não sou adepta da jogatinha, não tenho preconceito com quem se droga e acho que cada um sabe o que faz da sua própria vida. Claro que não é problema meu. Só fico extremamente incomodada com cigarro, pois acho desagradável (melhor dizer inconveniente) ser obrigada a inalar o cheiro do vício alheio, deixando minha rinite à flor da pele.
A profundidade com a qual me entrego a tudo na vida tem a ver comigo, com a minha essência e meu interior. A terapia não mudou em nada essa paixão com que me entrego a tudo, a acupuntura tampouco, muito menos os florais. Sou assim, ponto. Computador é apenas um dos meus vícios e, graças ao meu Senhor, não tenho nenhum vício químico, porque com a profundidade em que vivo tudo, com certeza, já não estaria aqui hoje para contar história alguma.

2 comentários:

  1. Pode preparar mais um freezer na casa nova. O vício de açaí é coisa de família e eu vou chegar devorando o estoque todo...
    bjoca

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  2. Ha ha ha... Pode vir MV, pq agora descobri onde compra açaí de balde e estou providenciando um freezer GIGANTE. Love

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