quarta-feira, 11 de março de 2009

Um dia eles crescem



Ainda falando sobre filhos. Quando era criança, nunca gostei de brincar de bonecas. Aliás, nem me lembro de ter brincado com elas algum dia. Portanto, nunca fiquei planejando quantos filhos teria, tampouco seus sexos. A única coisa que tinha definido é que, se tivesse um casal de gêmeos, chamar-se-iam Letícia e Leonardo e se fosse apenas uma menina, seria a Graziela.
Aos 24 anos, engravidei da minha filha e queria colocar-lhe o nome de Valentina, por achar um nome forte e imponente. Mas meus oponentes me fizeram desistir da idéia e cai na mesmice de nomes da sua geração: Isabella, que depois, por um erro de cartório, virou Isabela. Na ocasião, tinha a mais absoluta certeza de que não teria outro filho e ela seria filha única. Talvez seja por isso que demorei tanto tempo para ficar grávida, quando decidimos ter o segundo filho. Mas a criança veio e, para nossa surpresa, era um menino. Saímos do hospital Santa Joana meio catatônicos, o Milton e eu, tamanha a frustração.
Tive que rezar durante toda a gravidez, pois achava que não gostaria da criança. Sempre questionei como é que minhas amigas, mães de meninos, conseguiam gostar de seus filhos, afinal, em meninos não se colocam laços, tiaras e fivelas. Para os meninos, não se compra uma infinidade de sapatos e vestidos. Consumista como eu só, definitivamente, não estava preparada para ser mãe de menino. Eis que nasce o Leonardo, que deveria se chamar Bernardo, mas meu oponente também me venceu. Quando o dr. Adriano tirou o bebê da minha barriga e o trouxe até os braços, chorei de arrependimento, mas acima de tudo, de emoção. Perfeito, lindo, limpinho, gordinho. Uma gestação de 34 semanas, um bebê com quase 4 quilos, 50,5cm, totalmente saudável. Que glória, que benção. E lá estava eu, com o desafio de criar um menino.
Como sou privilegiada pelo presente de ter um casal de filhos. Os dois são completamente diferentes e algumas vezes, me sinto tão onipotente por tê-los, que tenho a impressão que entendo tudo e qualquer coisa da vida. Um é tímido, o outro é extrovertido. Um é quieto e o outro, não para sossegado um minuto sequer. Um nasceu e foi criado como batata, joguei na terra e brotou, enquanto o outro me fez ir semanalmente ao hospital até os seus dois anos de idade. Um adora verde e o outro gosta incondicionalmente do azul. Mas eles têm muitas coisas em comum: se amam infinitamente e passam por cima de qualquer coisa ou pessoa para defender o outro; ambos são sãopaulinos e, portanto, duas crianças totalmente inteligentes.
E eu e o Milton? Bom, nós dois agradecemos todos os dias por termos sido abençoados por dois filhos tão diferentes e que amamos tanto.

2 comentários:

  1. Ahhh você é a pandinha? fiquei curiosa para saber quem era. Não consigo acessar o blog lá do serviço e fiquei imaginando quem era, pois sabia o nome da minha mãe. Adorei seu blog, você escreve coisas bem legais. Beijos

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  2. Querida, muito obrigada, também adoro sua forma de escrever e leio todos os seus posts!

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