quinta-feira, 12 de março de 2009

Qualquer idade é idade


Quantos assuntos podem fazer parte da vida de um único ser em um mesmo dia? Infinitos, se os tais seres forem do sexo feminino. Impressionante como um simples intervalo entre as aulas podem virar um emaranhado de discussões dos mais variados temas. E a moral da história é sempre a mesma, o sinal bate, os assuntos ficam para amanhã e juntam-se às tantas novas temáticas que surgirão.
Fora isso tudo, tenho uma encomenda hoje a entregar. Trata-se de um assunto que me levou a algumas horas de reflexão. Não sei se funciona assim com todo mundo, mas eu, em particular, conheço pessoas tão parecidas comigo, que tais semelhanças chegam aos extremos. E não falo de semelhanças físicas não, falo de pensamentos, de gostos, de atitudes.
Há pouco mais de dois anos, uma mulher muito interessante cruzou minha vida. Cruzou é pouco. Invadiu minha vida e tomou meu coração por inteiro, tornando-se figurinha indispensável no meu álbum de celebridades. Intelecto de trinta anos, sessenta de idade cronológica e, diria eu, uns cento e vinte anos em sabedoria de vida. Somando tudo, temos mais de duzentos anos de experiência em uma só pessoa. É muita sabedoria e, quisera eu, um dia chegar só a metade disso tudo. Nossas afinidades vão desde as marcas de sorvete, o amor por um balde de açaí, somos antissociais ao extremo, detestamos festas e eventos tumultuados, fazemos qualquer coisa para ficar em nossas casas, nosso verdadeiro paraíso. Somos devotas de nossas famílias e eu, assim como ela, sou usuária do banheiro de empregada. E foi o banheiro de empregada que a levou a pedir que escrevesse algo em sua defesa.
Quando criança, chegamos a morar em dez pessoas na mesma casa, quando minha tia caçula se separou e veio morar conosco, juntamente com meus quatro primos. E de quantos banheiros dispúnhamos? Apenas um. E não me lembro, jamais, de ter passado aperto. Acontece que vamos crescendo, ficando velhas (ou experientes) e também mais críticas. Hoje, moro em uma casa com dois banheiros e quatro pessoas. E adivinhem? Acordei com a bexiga estourando de tão apertada e meu marido estava no nosso banheiro lendo a Veja, para matar o tempo, antes das seis da manhã, enquanto minha filha fazia hora no outro banheiro. Dei graças a Deus que em alguns meses, mudáramos para uma casa com quatro banheiros, ou seja, um por cabeça. E que não chegue nenhuma visita apertada, pode dar briga.
No caso da pessoa a qual me refiro, que chamo carinhosamente de tia Sônia, ela já tem o privilégio de ter o banheiro de empregada, lugarzinho tranqüilo e afastado do resto dos demais, onde ela pode, se quiser, ler sua revista em paz, desde que a empregada não esteja em casa. Há quatro anos, moramos em um apartamento com três banheiros e como meu filho ainda não era nascido, tinha um para cada membro da família. Todos rejeitavam o banheiro da empregada, então, transferi todos os meus apetrechos para lá. Com o passar do tempo, aquele lugar foi se tornando algo disputado aos berros. A ventilação lá era melhor, não tinha barulho e era como brincar de esconde-esconde, alguém só encontrava outrem por lá, se já conhecesse o esconderijo.
Desculpem-me, mas que papo de doido. Comecei a escrever e, inspirada no meu irmão, um fanático e alucinado por banheiro, deixei a imaginação correr solta, mas o que quero falar realmente é sobre o poder que os filhos acham que exercem sobre os pais, quando estes ainda estão em plena ativa, com total domínio de todas as suas sanidades mentais. A mesma tia Sônia ganhou um presente. Na verdade, ela e cada uma das duas filhas ganharam um pacote, todos com o mesmo conteúdo: um vestido. Só que a pobre não teve nem o gostinho de abrir o seu pacote, tampouco usufruir do seu presente. E só ficou sabendo que também havia sido presenteada, porque achou estranho todo mundo ganhar presente e ela não. Foi quando sua filha mais velha confessou que ela também havia ganhado um vestido, mas como era muito de perua, resolveu confiscá-lo, sem sequer perguntar o que a mãe achava.
Sorry, se fosse minha filha, mesmo com os trinta e muitos anos que ela completa hoje, ficaria sem presente de Papai Noel este ano, para aprender a não fazer mais coisas assim. Mesmo com tanta indisciplina, desejo a ela mais um ano de vida cheio de glórias e sucessos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário