quinta-feira, 26 de março de 2009

Profissão: criança

Criança deveria ser uma profissão, com direito a sindicato da categoria e tudo mais que pequenos seres necessitam. E quanto mais engraçada fosse a criança, maior seriam seus direitos. Não acho graça em palhaços, não gosto de piadas; dizem que não tenho senso de humor. Dou risada de coisas do cotidiano e quando se tem criança por perto, é gargalhada na certa.
Ser mãe é uma opção, mais ainda, uma abdicação da própria vida para cuidar de outro ser, aquele que vai levar a melhor fatia do bolo, o espaço mais confortável da cama, a prioridade na hora de comprar roupas novas, a única pessoa da casa, durante muitos anos, a escolher o filme que a família assistirá no cinema. Ser mãe é se doar integralmente para alguém ingênuo, puro e inocente, mas com o mais sincero amor para dar a outrem.
Meu filho está em uma fase muito engraçada. Costumo dizer que entre os dois e os quatro anos de vida, as crianças deveriam ficar congeladas, pois é a melhor fase. Não passei por muitas ainda, já que minha filha mais velha ainda tem nove anos, mas pelo que ouço das pessoas, acho que a coisa só volta a ficar divertida novamente quando chegam os netos.
Apesar de minha mãe ter apenas 51 anos e meu pai teria completado 53 se ainda estivesse vivo, tive uma criação às antigas em vários aspectos e um deles foi o de que criança não participava da conversa de adulto. Devido a isso, para mim é irritante estar conversando e me sentir invadida com a intromissão de uma criança. Falo muito em casa para meus filhos, quando querem se intrometer, que aquilo não é de suas contas. Como criança e papagaio são todos repetidores do que ouvem, pedi ao meu filho que guardasse um par de calçados que estava na sala e ele, sem titubear, me respondeu: “esse sapato é da minha conta?”. O detalhe aqui é que o pequeno mal sabe falar para responder assim.
Tem muitas horas que ficamos sem reação com as respostas dele. Realmente, as crianças nascem cada dia mais prodígio, com o raciocínio mais rápido e tudo na ponta da língua. Quando tive minha filha, achava-a um gênio, o supra sumo da inteligência infantil. Meu “sobrinho” mais velho já tinha oito anos e desde o seu nascimento, não havia mais nascido criança no meu círculo de amigos. Passamos todo esse tempo sem conviver com a sabedoria dos pequeninos e isso me fazia achar que minha filha era a mais inteligente de todas as crianças. Depois de seis anos, tive a sorte de ser mãe novamente e fico impressionada com a diferença entre os dois. Minha filha continua sendo muito inteligente, mas se comparar com o irmão, ficará anos luz atrás dele. O que acontece?
Um ano atrás, comecei a ler sobre crianças índigo e já não achava mais que meus filhos eram prodígio, mas que o pequeno era a própria criança índigo. Agora, convivendo diariamente com todos os seus amiguinhos, percebo que se ele é um índigo, estamos cercados de índigos por todos os lados, pois todos os dias fico surpresa com tudo que presencio das crianças.
Oxalá tanta inteligência um dia possa se unir para que o futuro viva a utopia de um mundo de paz e união entre todos os povos.

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