domingo, 15 de março de 2009

Não apenas cultural. Fundamental!

Foto: www.fotosearch.com.br
Gosto de escrever e faço da escrita minha terapia diária. Tenho três notebooks e não sei o que seria da minha vida sem esse brinquedinho que tanto me encanta. Escrevo desde muito pequena. Ainda guardo em uma pequena caixa, com recordações de outrora, meu primeiro caderno de poesias.
Hoje, ao reler alguns escritos, dou risada com a falta de regra, mas quem sabe eu teria inaugurado um novo estilo de escrita se tivesse dado continuidade ao meu besteirol.
Saber ler e escrever são duas das mais importantes coisas que um ser humano aprende durante sua vida. Não importa de onde veio ou para onde vai. Não importa que caminho profissional a pessoa decida trilhar. O analfabetismo é uma das piores chagas da humanidade. Só nos damos conta da riqueza que temos por sabermos ler e escrever, quando ouvimos uma história como a que ouvi ontem, de uma amiga que trabalha no aeroporto internacional. Um homem embarcaria para o enterro do seu pai, mas como não sabia ler, não sabia como chegar ao embarque. Minha amiga acompanhou o senhor até dentro da aeronave, indicando-lhe o toalete e as sinalizações necessárias para uma viagem segura. Cumpriu o seu papel de cidadã e fiquei orgulhosa dela pela atitude.
Agora imaginem só a situação de alguém, desesperado de tristeza por estar viajando para a despedida dos restos mortais do pai, sem sequer conseguir encontrar o meio de transporte? Muito humilhante.
Há algumas semanas escrevi sobre um assunto, mas infelizmente, não consigo publicar todos os textos que escrevo. Em suma, estava na fila de um caixa, aguardando minha vez para pagar. Havia no local, a exposição de algumas revistas e dentre elas, uma Contigo com a cantora Sandy na capa. A chamada atentava para sua formatura em Letras na PUCCamp. Duas senhoras atrás de mim pegaram a revista desdenhando da artista e de seu canudo: “não sei para que “fazer” Letras, nunca vi curso mais inútil, não serve para nada, só para ler receitas para a cozinheira analfabeta”.
Discriminação é crime conforme nossa Constituição Federal e com punição de acordo com o ato discriminatório, previsto em nosso Código Penal. Senti-me ofendida com tamanha ignorância, arrogância, prepotência, e um grande grupo de outras más qualificações às duas cidadãs. Perguntei a elas se haviam estudado alguma coisa em suas vidas, pois se passaram pelo Ensino Fundamental II e Ensino Médio, sem dúvidas, tiveram uma professora formada em Letras. A opinião delas não mudou e não me levava a nada prosseguir com a discussão. Estava atrasada para a sessão de cinema que entraria com as crianças.
Só lembrei-me desse episódio horripilante hoje, ao ver o programa Soletrando, no Caldeirão do Huck, dar início à temporada 2009. Além do cantor Tony Belotto e do filólogo e professor Sérgio Nogueira, quem é a terceira pessoa do “júri”? A Sandy. Quando questionada sobre o motivo que a levou a cursar Letras, ela respondeu que ao terminar o Ensino Médio, entrou na faculdade de Psicologia, mas queria mesmo cursar Letras. Durante quatro anos, aprendeu a falar, ler, interpretar, escrever, de acordo com as regras. E não só isso, aprende-se outras culturas, o porquê de nossa língua ser como é hoje, as regras que existiram ontem para uma escrita correta e o que vem mudando ao longo da história.
Disciplinas que envolvem a boa escrita e a interpretação de textos deveriam ser obrigatórias em quaisquer cursos de nível superior, não apenas em cursos de Letras ou Comunicação Social. Escrever bem é extremamente fundamental. Mas saber ler, é uma questão de sobrevivência.

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