terça-feira, 10 de março de 2009

Formando o amor e a verdade



Há um ingrediente que precisa, fundamentalmente, ser inserido em tudo que fazemos em nossas vidas. O nome do ingrediente é amor. Com amor, tudo se torna fácil, prazeroso, a vida passa a ter um gosto indiscutível de sucesso.
Estava hoje pensando no fim da minha licenciatura, que se aproxima. Têm pessoas muito legais, que não deixarão saudades simplesmente porque não deixarão de fazer parte da minha vida. Outras, que vou agradecer eternamente se não cruzar nunca mais em nenhum canto do mundo. Dos professores, sentirei saudades. Mesmo nos momentos de desavenças, sei que cada um estava lá dando o que podia de si e forçando a cada um dos alunos, para que cada um espremesse todo o seu sumo, dando o máximo também de si e fazendo o mais saboroso suco.
Cada um partirá para um caminho diferente, uns já trilham os concursos públicos, outros já têm suas vidas profissionais estabilizadas, outros ainda, estão lá por estar, e eu? Desde o início, já tinha meu caminho traçado e por ele seguirei.
Acredito na carreira de Tradutora, na carreira de Editora, na carreira de Mãe, na carreira de Consultora. Acredito que em tudo que fizer e colocar a pitadinha do tal amor, vai dar certo. Aliás, são trinta e cinco anos dando certo, nada vai mudar. Eu sou dona da minha vida, eu controlo tudo que quero e desejo. Só não tenho o controle perante a vontade suprema do nosso Pai.
Mas eu decido todos os dias se quero ou não ser feliz. E a resposta é sempre positiva. Tanto assunto veio a tona em meus pensamentos, quando fui parabenizar uma amiga que estudou no Ensino Médio Profissionalizante comigo, na época, colegial técnico. Ontem, estava em casa outra amiga que conheci naquela época. Um mês atrás, fui a uma festa de quinze anos da filha de outra amiga daquela turma.
Ano passado, na renovação da matrícula da minha filha na Cultura Inglesa, reencontrei outra amiga. Os padrinhos da minha filha também são dessa turma. Uma das melhores amigas da minha filha, que estuda na mesma sala que ela, é filha de outro casal de amigos, também do bom e velho colegial. Éramos três turmas do curso de Comercialização e Mercadologia. Durante os dois últimos anos, fazíamos um trabalho de graduação bastante abrangente, envolvendo desde a criação contábil de uma pessoa jurídica, até a composição de todo o organograma dessa empresa, onde cada aluno desenvolvia um papel, do Presidente à secretária. Investíamos certa quantia em dinheiro para que no último semestre, desenvolvêssemos o produto que nossa empresa criou; fazíamos toda a campanha publicitária, lançamento do produto, plano de exportação, enfim, um trabalho completo e complexo para jovens de 17 anos, que deixava qualquer adulto aplaudindo ao ver o resultado.
Havia desavenças, mas havia maturidade para resolvê-las. Havia maldade, sim; não acredito em grupos sociais que não tenham a figura do bem e do mal presente. Mas havia amor, aquele que vem lá do fundo, aquela ideologia de um grupo em acreditar poder fazer o melhor. Passei por alguns cursos universitários e, para meu bel prazer, conheci muita gente boa que faz parte da minha vida. Muitas pessoas comuns em busca da tal felicidade. Eis que de repente, passo a fazer parte do incomum.
Em três anos de Licenciatura, ouvi todos os professores dizendo que a minha turma era uma turma diferenciada. Alunos maduros, inteligentes, capazes, diferentes, com um nível cultural nunca visto antes. Cultura é importante sim. Notas compõem nossos currículos. Mas sinceridade, honestidade e bom caráter, são predicados inatos ao ser humano, não são possíveis comprar, simular ou fabricar. Claro que faz bem para o ego saber que você faz parte de um grupo de boas pessoas. Ou seriam pessoas boas?
Acho que em algum momento, o ego inflou de tal forma, que fez tudo desandar. As pessoas continham sendo boas, as notas continuam sendo as melhores, uma turma que tem um festival de notas dez nas avaliações. E a vida, é nota dez também? Não. Pois não há amor. Falta espontaneidade, falta naturalidade, falta verdade. É triste ver pessoas que chegaram aos quarenta anos vivendo da mentira, enganando ao seu próximo, tentando tirar proveito da boa fé das pessoas e, ainda assim, sentindo-se superior ao seu semelhante.
No jogo da vida, somos todos iguais, oriundos de um mesmo Pai que não diferencia o amor por seus filhos; o menos acaba sendo sempre mais. Quem sabe menos, aprende mais; quem tem menos, acaba ganhando mais; quem não se acha nada, uma hora se descobre o tudo; mas aquele que esteve no pedestal por todo o tempo, pode tropeçar e cair, quando suas trapaças forem descobertas por todos. Desejo sucesso a cada um dos formandos, que cada um consiga plantar uma única sementinha do bem nesta enorme semeadura chamada vida. E nunca, jamais, esqueçam que a verdade só existe se há amor e dentro de um canudo não se encontra amor. Apenas no interior de cada um.

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