terça-feira, 3 de março de 2009

Brasilista

Foto: Google Imagens

É assim que acho que deveria ser o gentilício para brasileiros. Afinal, vivemos em um país paternalista, assistencialista e, por que não, socialista? A cada dia que passa, me revolto mais com notícias as quais qualquer cidadão tem acesso: roubo, roubo e mais roubo. Lembro-me que em 1992, por muito menos, o então presidente Fernando Collor de Mello viveu a pressão do impeachment. Acompanhei de perto o movimento dos cara-pintada e me emocionava com a mobilidade do povo em busca da defesa daquilo que acreditavam. E agora, será que não acreditamos em mais nada? Digo acreditamos, e me coloco em primeira pessoa para expressar meu sentimento, pois sou apenas mais uma brasileira indignada com os braços cruzados. Cruzo os braços por preguiça, por falta de tempo, mas acima de tudo, por vergonha. Não vergonha de ser brasileira, muito pelo contrário, tenho que honrar o lugar que nasci e que me acolhe desde então. Vergonha de ser brasilista. Vergonha de ver que milhares de pessoas, assim como meu marido, trabalham quase cinco meses do ano para pagar impostos. Vergonha por saber que mensalmente, pagamos altos impostos; que agora, pagaremos um pouquinho mais na mordida anual do Leão; pagamos impostos por segurança, escolas, hospitais, ruas asfaltadas. E onde está esse dinheiro? Por aí, não apenas em Brasília, mas pelo mundo afora, de acordo com os investimentos de cada deputado, senador ou vereador decidiu fazer. Está pelo Brasil afora, distribuído através do Bolsa Família ou de tantos outros protecionismos que o governo distribui para a base da pirâmide, a classe menos favorecida, que precisa de investimento com o dinheiro dos nossos impostos para terem um pouco mais de dignidade. E a minha dignidade, fica onde? Conversando com um grupo de amigas, descobrimos o porquê de não conseguirmos uma empregada. As empregadas domésticas não aceitam mais trabalhar por um salário mínimo; foi-se o tempo; também não aceitam mais trabalhar de carteira assinada. E tudo para poder ganhar o bolsa família. Tem também o bolsa gás. E as escolas estaduais ainda oferecem às crianças: uniforme, material, livro didático, merenda, latas de leite. Concordo, até como educadora, que tudo tem que começar pela educação. O que discordo, é pelo fato de ver mães brigando na Secretaria da Educação quando os uniformes vêm de tamanho errado, mas estão lá, elas e seus maridos em casa, com a velha e esfarrapada desculpa de que não acham emprego. Não acham, pois não procuram; já dizia o velho ditado, quem procura, acha. Minha maior revolta é a nova fiscalização para carros fabricados de 2003 em diante. Até onde sei, a medida é municipal e alguém me corrija se eu estiver errada. Qual o motivo dos carros fabricados anteriores a este ano não serem fiscalizados? Simples: são carros que geralmente não tem documentação, não são licenciados, não tem suas multas pagas e seria um grande dispêndio financeiro tentar fazer uma revisão de poluidores em tais veículos. Mais uma vez, a classe média é massacrada. Meu marido está concluindo um MBA agora pela FGV. No último final de semana, comecei a fazer a revisão do trabalho dele, um estudo sobre as classes C e D no Brasil. E cada vez mais, fico me perguntando: onde vamos parar? Quem tiver alguma resposta, juro, estarei ansiosa aguardando. Certo está meu irmão que se mandou. Tem gente que fala que às vezes, menos é mais. Começo a ter certeza disso e quero ter cada vez menos; quem sabe assim, consigo deitar a cabeça no travesseiro sem preocupações com o hospital particular que, semana passada, não pode atender minha filha, acidentada, devido às enormes filas de doentes. Quem sabe eu me esqueça do quão caro são as mensalidades dos colégios dos meus filhos e das primeiras parcelas dos materiais escolares que temos este mês. Quem sabe eu não decida viver do bolsa família, do paternalismo federal, do assistencialismo governamental, e deixar as preocupações de lado? Não quero ter mais ou menos que ninguém. Quero apenas ter o justo pelos meus esforços. Enquanto aguardo de braços cruzados, continuo fazendo semanalmente a leitura da Veja e acompanhando as roubalheiras do governo e as críticas do Mainardi.

2 comentários:

  1. Como diz meu amigo chinês: bom mesmo é morar na Irlanda. Aqui a gente trabalha, recebe a grana (bem razoável) e gasta. Simples assim. Não tem que se preocupar com esses problemas comuns do nosso país. Às vezes é triste viver longe de casa. Mas se é o jeito...

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  2. MV, tá valendo qq coisa para não ser escravo dos impostos, viva a Irlanda. Bejus

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