terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

SUSTENTABILIDADE, ÀS VEZES, INSUSTENTÁVEL

Larry Harmon, como o palhaço Bozo (Foto: Divulgação/AP)

Imaginem só a situação: você presta vestibular e é aprovado. Seria um caso de comemoração, mas em se tratando de certas universidades privadas no Brasil, vejo o fato como uma vergonha. São diversos vestibulares realizados, começando no mês de outubro. Depois vem o de novembro, o de dezembro, o de janeiro e o remanescente. E ainda há um sem número de vagas disponíveis para transferência. Mesmo assim, há cursos que não chegam a formar uma turma, tendo um número de alunos insignificantes. Um dos tantos alunos aprovados nas suas infinitas unidades, é aprovado e precisa fazer a matrícula on line. Descobre que deverá imprimir primeiramente seu primeiro boleto para fazer o pagamento da matrícula, devendo retornar ao site em 48 horas. Passado o prazo, o aluno volta ao site para efetivar sua matrícula. Descobre então que deve imprimir o contrato de prestação de serviço (ninguém leu errado não, o indivíduo que paga pela prestação de serviço é responsável pela impressão do contrato desta prestação); após o contrato, este mesmo indivíduo ainda tem que imprimir os onze boletos restantes. Só depois de entregar tudo na central de atendimento (quer dizer, de mal atendimento) do seu campus, para pessoas desinformadas e sem nenhum treinamento para exercer tal função, é que sua matrícula estará efetivamente concluída; claro que não é tão fácil assim comprar a prestação destes serviços, pois muitas vezes, este processo pode sofrer um efeito bumerangue: vai e volta, vai e volta, vai e volta. Até que alguém desista. A tal BURROCRACIA.
Os clientes (leia-se alunos) que não perdem suas paciências por algum motivo (desinformação de que há alguma instituição de ensino superior que trata o seu cliente com respeito, proximidade da sua casa, do seu trabalho, valor da mensalidade, bolsa do PROUNI, etc.) e passam a freqüentar a instituição, ainda hão de deparar com outras surpresas. A mudança do início do ano letivo, que se antecipa em uma semana, sem quaisquer explicações. Claro que isto é uma vantagem, uma semana a mais de aula. Ledo engano. Esta semana extra geralmente é própria para blábláblá. Sem generalizar, pois há professores que são comprometidos com a sua profissão e independente da forma como são tratados pelos empregadores, respeitam seus alunos e levam a sério aquilo a que se propuseram.
Os inocentes alunos-clientes iniciam seu ano letivo então, uma semana antes e são avisados, pelos professores, que precisam ler o jornal da universidade, pois semanalmente são publicadas importantes informações. E na primeira semana, a mais importante de todas: para ter acesso ao campus contratado para receber os serviços de educação, é preciso, mais uma vez, acessar a intranet e imprimir “em qualquer tipo de papel”, ipsis literis, um cartão de acesso ao campus. O aluno também não tem a quem pedir socorro. Ninguém informa quem é o coordenador do seu curso. Não tem também um diretor ou qualquer outra pessoa que possa lhe informar a grade de aulas (que poderá ser alterada a qualquer momento caso um docente seja desligado). Aos poucos, o cliente-aluno-cliente passa a se surpreender mais e mais. Descobre que em meados do primeiro semestre, a instituição de (?) ensino incluiu uma matéria on-line, para que este indivíduo se prepare melhor para o futuro. Para tanto, indisponibiliza todo e qualquer computador. Como diz o velho ditado, “cada um com seus problemas”.
O sistema de avaliação também é um exemplo. A não ser seguido. Avaliações semestrais, uma única avaliação por semestre, uma roleta russa, um tudo ou nada, um jogo no escuro. Se acertar, passou; se errar, dançou. Concordo que seja obrigação do aluno se preparar. Principalmente para as surpresas que ele tem no dia da avaliação. Uma prova elaborada por outro docente, que não aquele o qual lhe preparou durante o período. Outra abordagem, questões com erros de interpretação, de compreensão e de elaboração. Mas tudo bem. Os professores têm autonomia para anular questões problemáticas. Foi assim que tive uma mácula no meu histórico escolar, com uma nota quatro em meio às notas 9 e 10 que colecionava.
Mesmo sem avaliação durante o semestre, os alunos são coagidos a realizar avaliações de mentirinha. Os chamados seminários são elaborados para que os futuros profissionais possam se preparar melhor. Alguém paga, outro recebe, quem paga trabalha, quem recebe fica também com o melhor lugar no picadeiro. Algum erro de concordância ou ortografia neste texto? Vai reclamar com o Papa.

7 comentários:

  1. Ursula gosto muito do seu blog. Nesse texto você pegou pesado e devia divulgar para acabar a palhaçada. Um beijo da Fe

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  2. COncordo 100% contigo. O ponto principal é que nada é feito e qdo se tenta algo poucos são os que peitam o status quo
    Toro

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  3. É isso aí Ursulinha, matou a cobra e mostrou o pau!!!!!

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  4. URSULA NÃO VEJO SOLUÇÃO A CURTO PRAZO PARA AS MAZELAS DO MUNDO.

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  5. E o sistema só piora, o jeito é gritar na reitoria!

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  6. Nem isso resolve. Aquilo lá é palhaçada do início ao fim. Poderíamos ir todos vestidos de Bozo.

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  7. Gente, muita calma... vamos ver o que conseguimos melhorar em nossos estudos... beijos da Panda

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