quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Minha faculdade promete...

... e cumpre. Ela promete formar cidadãos políticos, críticos, capazes de pensar e agir. Para tanto, não é nas salas de aula que as discussões formam estes cidadãos. A formação é feita através da mídia, através de discussões calorosas nas centrais de atendimento ou junto à coordenação. Estava eu no campus e chega um novo aluno. Transferido de outro campus. No último ano de licenciatura. Ele e outra dezena de colegas simplesmente chegaram para o primeiro dia de aula, claro que após a instituição receber e formalizar, através do pagamento, suas matrículas, e têm a agradabilíssima surpresa: sua turma não existe, pois não há número de alunos o suficiente para que a instituição disponibilize salas e professores para mais um ano letivo. Seria surpresa para alguém, se estivéssemos falando de uma instituição séria. Na minha faculdade não é surpresa. Na minha turma, há outros seis alunos, remanejados de outro campus, que vivenciaram a mesma infeliz situação um ano atrás. Ao aluno, cabe desistir, aceitar ou se transferir. Cada um tem seus problemas, sua história de vida, seus ideais, suas necessidades e, dependendo deste conjunto todo, toma sua decisão. No caso do colega de hoje, vale ressaltar que ele veio transferido de outro município, há alguns bons quilômetros do atual campus.

Ah, acho que todos se lembram do episódio anterior, sobre a impressão da identificação estudantil “em qualquer papel”. Pois bem, surpresa, mais uma vez, seria se nós, alunos, acessássemos a intranet e fosse possível realizar tal “transação”. Mas estou há dois dias tentando e recebo a mensagem: “tente novamente em um dia útil”. Só esqueceram de avisar o sistema que um dia tem vinte e quatro horas.

Na minha faculdade, também existem outras coisas engraçadas. No jornal semanal, que é de leitura obrigatória para que os estudantes se informem sobre os acontecimentos, saiu uma matéria sobre o novo sistema de avaliação. E no jornal está escrito que os alunos que quiserem (ou optarem, não me lembro ao certo o termo usado e estou sem a edição em mãos) refazer a avaliação, por não terem tirado nota satisfatória, assim o farão. Nada se fala sobre pagamento. Após ter uma semana de aula e passar por sete diferentes docentes, ainda estamos sem a informação. Uns, dizem que a segunda prova será paga. Outros dizem que não. E há o grupo que não diz nada. Portanto, não temos informação alguma para o futuro de nossas avaliações.

Minha faculdade é a mais engraçada de todas. Eu já estudei lá, no passado, por quatro anos, de 1998 até 2001. Era outro campus, era outro instituto, era outro curso. Mas era a mesma faculdade, o mesmo reitor e, portanto, o mesmo pensamento. Existiam terminais de consulta espalhados pelo campus, para que os alunos pudessem consultar suas notas e faltas. No ano passado, colocaram um terminal eletrônico no meu campus e uma chamada: “aguardem, em outubro haverá novidade”. Tudo bem, confesso, não era uma chamada tão grande, mas era algo que chamava a atenção quanto ao mês de outubro e para bom entendedor, era o suficiente para saber que no mês de outubro, o terminal de consulta estaria em funcionamento. Mas esqueceram de colocar outubro de qual ano. Já estamos em fevereiro e nada ainda.

Tem uma coisa que acho legal na minha faculdade. Assisto todos os dias na Rede Globo, uma chamada de classificação, vestibular, transferências, vagas em aberto. Pobres alunos. Correm o risco de se transferir de uma instituição comprometida, para formar números em uma instituição que, no próximo ano, baterá com a porta em suas caras no primeiro dia de aula. Como diz o ditado, trocar o sujo pelo mal lavado.

Há faculdades que são pequenas. A minha, faz parte de uma grande universidade, com quinze anos de atuação, uma debutante, e muitos campi espalhados pelo país. Realmente, é um mérito crescer tão rapidamente, um conglomerado estudantil que começou há apenas quinze anos, de forma discreta, na zona Norte de São Paulo. O demérito fica para a falta de planejamento durante o crescimento e hoje, o exorbitante número de alunos que minha faculdade tanto se orgulha, são apenas números e há muito deixaram de ser alunos.

Mas há coisas na minha faculdade que valem à pena. Tive a sorte de ter um professor de Literatura Comparada da Língua Inglesa que, a priori, achei sensacional. Tenho que fazer a ressalva, pois se futuramente este sensacional professor prejudicar minha nota, terei que brigar com ele e jogarão na minha cara o fato de tê-lo chamado de sensacional. Então, a posteriori, tudo pode mudar. Também tive aula com uma professora de Estrutura e Funcionamento da Educação que é fabulosa, e nos fez perceber que ainda vale a pena. Sem contar que hoje reencontrei a melhor professora que já tive, aquela do abraço de urso que é super hiper querida. São os grandes detalhes que fazem a diferença na minha pequena faculdade e é por conta destes importantes detalhes que ainda estudo lá.

(escrito por mim, Úrsula Hummel, diretamente do Reino de Tãotão Distante, lugar onde me encontro sozinha para me recompor e me refazer, mas de onde retornarei em breve)

Um comentário:

  1. Deixo meus agradecimentos para todos os colegas que, por medo da represália, acabaram me enviando emails com comentários, mensagens as quais ainda não respondi.

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