segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O dilema da empregada doméstica

Sempre me esforcei para ser uma boa patroa. A primeira empregada doméstica que tive em casa foi quase doze anos atrás. Demiti-a quando voltei da maternidade com a Isabela. Após três dias de internação, cheguei em casa e tinha pilhas de roupas para passar, a casa estava uma bagunça que só e a minha secretária não havia trabalhado nenhum dia.
Como a Isabella nasceu às 00h39m do dia 16 de novembro e o feriado de 15 de novembro foi em uma segunda-feira, significa que, ao chegar em casa no dia 19, sexta-feira, estava sem alguém que limpasse a casa há uma semana. Um detalhe muito interessante é que eu já tinha contratado a babá, que ficou em casa vendo o circo pegar fogo enquanto eu me recuperava na maternidade. Ela não foi capaz sequer de passar um pano no minúsculo apartamento que eu morava. Claro que também não durou muito.
Quando a Isabella tinha nove meses, estávamos a nona babá, que permaneceu comigo até os dois anos e meio da minha filha. Não houve agência, indicação, treinamento e nem coisa alguma que fizesse minha história mudar.

Quando nos mudamos para o Alto de Pinheiros, optei por uma diarista, duas vezes por semana. Ela era ótima, sempre deixava coisas para eu fazer, aprendendo realmente os ensinamentos cristãos: dividir com o próximo. A aplicação dos ensinamentos só não se dava em se tratando de comida, afinal, que garantia teria ela, de uma vaga no céu? Então, aproveitava o período em que o Milton passava mais da metade do tempo no exterior e comia todos os chocolates ou biscoitos importados que ele trazia.

No Chile, moramos por muitos meses em um apart hotel. Quando fomos para nosso apartamento, arrumei uma empregada peruana, que limpava a casa super bem, chegava no horário e nunca éramos pegos de surpresa ao abrir a despensa para procurar algo. Sempre encontrávamos nossas guloseimas onde havíamos deixado. Como felicidade de pobre dura pouco, fomos transferidos para Portugal. Um tempo em Lisboa, seis meses morando em um apart hotel no Estoril e, finalmente, desembargamos nossa mudança. Como na Europa paga-se por hora, tínhamos uma brasileira que trabalhava algumas horas por semana em nossa casa e as outras horas na casa do nosso senhorio, cuja esposa também é brasileira. A vivência em Cascais foi tão estressante que não me lembro se houve algum problema marcante com esta ajudante. Acredito que não, senão, lembraria.

De volta ao Brasil, mudamos para Moema e contratei uma pessoa para trabalhar em casa das 16 horas até as 22 horas. O Milton levava a Isabella cedo para a escola, onde ficava o dia todo. Logo engravidei do Leleco, acordava tarde todos os dias, pois passava as noites em claro vomitando. Ia para a faculdade a noite e demorava para pegar no sono. Foi um horário estudado para nossa secretária do lar. Nos seis meses que ficou comigo, nenhum dia me lembro de ela ter chegado antes das 17horas e 30 minutos. Todos os dias era algo grave acontecendo: ônibus quebrado, assalto na vizinha, gato atropelado, passarinho que perdeu a pena. Mudamos para Santana e no dia seguinte, começava a nossa nova funcionária. Com o nascimento do Leleco e o tempo que fiquei sem andar, precisamos de uma babá. Foi um festival de gente sem fazer nada em casa e outro festival de neurônios pulando no meu cérebro, querendo estrangular alguém. Uma bela segunda-feira, minha empregada chegou e disse que não trabalharia mais, pois era muito serviço para ela. Concordei sem discussões. Afinal, um apartamento de 67m2, uma criança de 6 anos em período integral na escola, um marido que trabalha uma média de 13, 14 horas de 2ª. à sábado, e uma patroa que não come e não cozinha, realmente, era um trabalho de cansar qualquer um. Depois dela, vieram umas dez e assim passaram os últimos quatro anos, desde que voltamos ao Brasil.

Nunca tive problemas em encontrar empregadas. O problema é encontrar uma que venha com a tecla EU FUNCIONO. Sempre paguei salários muito acima dos demais vizinhos, então, cada vez que preciso de uma empregada nova, tenho muitas candidatas. Registro, faço contrato, pago condução, recolho o INSS, semana de cinco dias, férias de trinta dias por ano, 13º. salário. Onde erro? Erro por não saber mandar; erro por não conseguir dividir classes sociais e entender que cada um tem o seu lugar; erro por permitir que minhas funcionárias faltem quando precisam, sem desculpa, sem atestado e sem desconto; erro por permitir roupas queimadas pelo ferro, louças e muitas outras coisas em casa quebradas, sempre dizendo que “poderia ter sido comigo, acontece mesmo, deixa para lá”. Mas eu sou geminiana, sou mulher, sou persistente, sou insistente e não desisto, muito menos com grandes dificuldades. No momento, tenho a Nina, minha diarista de duas vezes por semana, que está passando férias em Recife. E eu, claro, estou na labuta.

Tudo que desabafei hoje, foi em solidariedade à minha amiga e vizinha Danisam, que é tudo que sou e muito mais um pouco para suas funcionárias e foi abandonada em pleno dia 30 de dezembro, sem comunicação prévia ou qualquer aviso posterior e até o momento está sem saber se a empregada vem amanhã ou não. Ah, o dilema existe porque a empregada liga para garantir que amanhã ela virá. E assim, passamos mais uma semana.

Quero hoje parabenizar todo e qualquer ser humano que sabe valorizar o seu trabalho, valorizar as oportunidades que a vida lhe dá, sabe trabalhar com afinco, agradecendo a oportunidade de prosperar, de progredir, de produzir e ser alguém na vida. E parabéns às pessoas que não vivem o dilema da empregada doméstica; são pessoas que ganharam na loteria e talvez, ainda não tenham se dado conta.

4 comentários:

  1. Putz, eu mesmo lembro de umas 15 empregadas. Mas a Elza foi a melhor, claro! "Mexe nitudo essa menina" huauhahuauha.
    Ah, vc tinha que ter uns irlandeses por perto. Povinho vagabundo e sem vergonha...
    bjunda

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  2. Putz MV... isso é q é desejar td de mal para alguém... já não bastam os brazucas??? Afe...

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  3. Que drama em amiga...mas é difícil encontrar alguém que seja competente...o que mais tem por aí é gente que só quer moleza...dar duro nem pensar.

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  4. Nossa se nem imagina, parece minha próprio história hehehehe e acabo de receber um telefonema da minha aiaiai
    não vem amanhã esteve internada e só virá na quarta-feira se melhorar vixi
    ah! hj é domingo e que venha a semana
    pois eu tenho duas filhas uma casa enorme, cachorro etc e trabalho
    uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii socorro!!!

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