sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

CRIE, INVENTE, TENTE


Minha única prima por parte de pai mora na Europa há 16 anos. Tem dois anos menos que eu, ou seja, saiu do Brasil ainda muito cedo. Lá, trabalhou, estudou, concluiu a faculdade, se casou, teve suas duas filhas (a caçula, inclusive, nasceu logo que chegamos em Portugal). Posso dizer que minha prima, prestes a completar 33 anos, é uma cidadã européia, muito mais que uma cidadã brasileira (nestes anos todos, ela esteve no Brasil por duas vezes). Seu marido é holandês. Fala com fluência seis idiomas; não tem nível superior. No dia do atentado das torres gêmeas, minha tia se mudou para ficar junto da única filha, que acabara de dar à luz sua primeira filha. São três gerações distantes e não apenas geograficamente, a distância é cultural. E quando digo cultural, não quero dizer que cá ou lá existe mais cultura, maior nível de inteligência. Digo apenas que são culturas diferentes. Pra ser mais exata, culturas MUITO DIFERENTES. Minha prima se formou em Turismo, trabalha na Torre de Belém. A família mora em Cascais, onde minha tia trabalha como chefe de cozinha em um restaurante francês, na orla marítima. Meu primo agregado trabalha também na noite, em exatamente tudo que se puder fazer (nem tudo, claro). A família pensa em se mudar para a Holanda, mas meu primo agregado só pensa em vir para o Brasil. Ele que já morou em Boston, na Grécia e na Itália, quer quebrar novas fronteiras. Minha tia e minha prima são conscientes de que aqui no Brasil, após tantos anos, viverão no subemprego e na subvida; ele não tem esta visão. Se forem para a Holanda, o governo lhes dá casa, estudo para minhas priminhas, trabalho e toda a garantia para viver de forma digna. Minha tia resiste, não sabe falar o idioma e, aos 50 anos, se acha muito velha para aprender.

Meu irmão é jornalista e minha cunhada também. Meu irmão trabalhou por onze anos na Rede Globo e por mais cinco na Band News, sendo um precursor dentro deste. Deixou os dois empregos. Minha cunhada trabalhava no Terra e também deixou o trabalho. Foram para a Europa um ano atrás. A priori, apenas para estudar. A posteriori, provavelmente, não voltem mais. A japa trabalha em uma loja, em Dublin. Meu irmão já fez de tudo, desde a imprensa internacional, como entregador de jornal no farol, até cozinheiro em café. Os dois mantêm seus trabalhos, felizes e sem pensar em voltar para o país natal. Há uns dois meses, começaram a fazer brigadeiro para vender nos cafés. O negócio do brigadeiro vingou. Introduziram os beijinhos. Não foi suficiente. Ontem, fizeram bicho de pé. Com Quick, o que eu critiquei, mas, segundo meu irmão, quem não tem nada, acredita que brigadeiro com Quick de morango é bicho de pé. E a produção aumenta em ritmo acelerado, tanto que sonho de verdade em me mudar para a ilha. Iniciar uma grande produção de doces, com variedades, novos sabores, amendoim, nozes, castanhas, camafeus, passas.

Por ocasião das festas de fim de ano, recebi um email da minha prima, muito diferente de tudo que se recebe nestas datas. Ela desejava muita criatividade para todos, pois o momento em que o mundo se encontra, é necessário que todos sejamos criativos. Achei interessante o pensamento dela, passei muitos dias relendo a mensagem e tentando tirar alguma lição deste “ser criativo” que ela recomendava. Acho que agora entendi. Ser criativo é ser feliz. É largar o trabalho quando se está infeliz, é abandonar uma carreira promissora, deixar o status de lado, viver com o mínimo necessário. É fazer brigadeiro e comer dois doces para cada três que enrola. É saber que fazer ovos mexidos em um café, servir refeições, vender roupas, tudo longe daqueles queridos amigos, dos chatos familiares, é simplesmente ser feliz. Ontem, conversando com meu irmão pelo Skype, descobri que eles não têm televisão. Não porque não tem dinheiro. O motivo é que simplesmente, não sentem falta do aparato. Ainda ontem, também, recebi a querida visita da minha madrinha, que é um exemplo para mim em muita coisa na vida. Tive como exemplos minha madrinha e minha tia paterna, que nos deixou há doze anos. Hoje, a Dinda tem que fazer o papel das duas, e consegue, com louvor. Falávamos sobre as dificuldades que cada um enfrenta. Todo mundo nos vê de carro zero km, mas ninguém vê dentro do escritório, a grossura do carnê com as prestações. Ninguém sabe o saldo do banco de ninguém, mas com criatividade, eu e minha madrinha conseguimos sempre driblar pequenas e grandes coisas na vida, viver dentro dos altos e baixos que todo mundo vive, sem deixar a peteca cair. Ok, tenho dentro do armário um diploma de Mercadóloga e por mais que sempre me dissessem da vocação que tenho para criar, não sei criar por profissão, nem por necessidade. Crio para ser feliz. Foi pela criatividade de muitos anônimos, que o mundo evoluiu e novos recursos foram criados. MORAL DA HISTÓRIA: SEJA CRIATIVO E VIVA FELIZ.

2 comentários:

  1. Juliana Yonezawa lemos31 de janeiro de 2009 07:48

    VEMCHA,

    Faz tempo que não passava por aqui. Simplesmente amei o seu post.

    Concordo que ser criativo é ser feliz. É descobrir, arriscar e dar espaço ao novo. Ser feliz é não se acomodar. É saber lidar com os problemas e dar o tamanho certo pra eles.

    Ser feliz é também querer ver os outros felizes!!! ;)

    Desejo muita criatividade pra vc!!!

    Beijão, VEMCHA

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  2. Boa, gordulha. Engraçado que ontem mesmo uma amiga do café me ofereceu uma tv de graça. Hj é dia de folga e a japs já me botou pra fazer matéria na rua. Depois, é hora das panelas! Ah, como cansa ser feliz... hehehe
    Love you
    bjunda

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