quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Por onde anda o Mainardi?

Nunca foi segredo o quanto gosto do jornalista Diogo Mainardi, encontrando sempre um tênue caminho entre sua linha de pensamento e a minha, principalmente no que tange ao Excelentíssimo Senhor Presidente da nossa nação.
Também sem reclamar de barriga cheia. Apesar de ex-jurista e sabedora de que não é o Poder Executivo o detentor de idéias geniais que viram leis, é o Executivo quem dá a palavra final para que tudo entre em ação. E só tenho a agradecer ao nosso Presidente: no ano em que comprei dois carros zero quilômetro, com motores abaixo de duas mil cilindradas (sendo um de mil), de repente, para aumentar o consumo do povo (rumo a uma nova dívida externa, caso não haja uma conscientização econômica para os menos esclarecidos), há uma brusca redução do IPI; tudo bem, sorte de quem esperou. Azar o meu. Também no ano em que quitamos uma dívida com a Fazenda, dívida esta que não era devida por nós, uma vez que moramos fora do país legalmente e pagamos todos os impostos, descontados pela empresa, que não declarou tais pagamentos, a Fazenda ZEROU quaisquer dívidas inferiores a R$ 10 mil. Era o nosso caso. Bom, tenho muito a agradecer, afinal, o IR para pessoa física baixou no próximo exercício e com os menos de R$ 100 reais que economizaremos, não fosse a crise econômica, estaríamos estudando a melhor forma de investir em Wall Street.
Passado o desabafo, volto ao assunto que me leva a tais linhas, o Mainardi. Acabei de ler sua “crônica” na última edição da revista Veja e, pela primeira vez, discordo do autor em gênero, número e grau. Ele faz uma crítica ao global Luiz Fernando Carvalho na minissérie recém-terminada, Capitu.
Há uma diferença semântica entre “baseado na obra de” e “da obra de”. Se a minissérie fosse uma cópia fiel à obra machadiana, chamar-se-ia Dom Casmurro, e não Capitu. Apesar de não ter assistido a nenhum dos cinco capítulos da trama, ficou muito claro por tudo que li e acompanhei nas chamadas, que a adaptação não seria fiel à obra original, e sim, uma crônica, tentando imitar as intenções de Machado de Assis, ao criticar a sociedade quando do início da escola literária Realista.
Desculpe-me, caro Diogo, mas acho que você realmente cansou do querido Presidente e ficou sem assunto em sua última coluna. Deixo aqui registrada a primeira vez que discordei de você, o que é bom para perceber que ninguém é perfeito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário