sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

E após o Natal...

Reitero o meu dito dos anos anteriores: o rito de comilança e exagero foi repetido. Não ouvi ninguém orando ou agradecendo àquele ser superior que cada um acredita, por mais um momento de vida. Particularmente, acho necessário agradecer. Tirei o menino Jesus do presépio e escondi. Ele só reapareceu no dia 25, quando nasceu do ventre de Maria. Ali, ensinei ao Leleco o verdadeiro significado do Natal e o porquê do Papai Noel trazer-lhe um presente. Ensinei o nome dos Reis Magos e o que cada um trazia à Jesus, o que faziam os animais naquele cenário e, de forma lúdica, mostrei aos meus filhos mais uma vez que o significado do Natal é o nascimento, a simplicidade e o amor ao próximo.

Passamos o dia 24 em casa. Talvez tenha sido a melhor véspera de Natal que tive. Digo talvez, pois não consigo lembrar de todas as 33 anteriores. Mas esta, em especial, foi marcante. Pela manhã, fui com a Danisam comprar algo para nosso jantar de Papai Noel, pois até aquele momento, não tinha sequer em mente o que seria nossa noite. Acreditem, eu mesma, Úrsula, aquela que, segundo minha amiga Fê, deixarei até a caixinha do coveiro paga quando morrer, estava totalmente despreocupada com a ocasião. Chegamos no Gaúcho por volta de 10h30 e já não era possível fazer nenhuma encomenda de “coisas de Natal”. Pedimos uma maminha na brasa, compramos uma cesta de doces folhados, já tínhamos um espumante em cada casa, refrigerantes, fiquei de fazer uma farofa e a Danisam um arroz. Lembramos que não tínhamos papel para embrulhar os presentes dos meninos. Passamos na Kalunga para comprar papel e pilha e cada uma foi para sua casa, esperar o fim do dia.

Quase 18h, chega Danisam com nossa carne (que eu belisquei vários pedaços, pois estava cheirosa e muito saborosa). Enquanto ela dava banho na turma do 52, eu fazia o mesmo na turma do 12. As 19h, nossa mesa estava pronta, a comida muito cheirosa, o Pedroca dormindo, o Leleco gritando desde as 17h na varanda (“papai Noel, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”). Jantamos, acordamos o Pedroca e demos a impossível missão aos papais de colocarem os presentes e as cartinhas próximos aos sapatinhos que se encontravam na varanda do 52. Ficamos na portaria um bom tempo esperando. Soube depois que foi muito difícil para meu querido Juliano conseguir colocar os pacotes na lavanderia. Tão difícil, que ele esqueceu o presente do Leleco. Cansadas já de esperar o sinal combinado para subirmos, subimos sem o sinal. Encontramos Toru e Coiote no elevador e fomos todos para o 52. Enquanto o Pedroca começava a despertar para o espírito do Papai Noel, o coração do Leleco estava completamente disparado. A Bibi doida para abrir seu presente, sem saber o que ganharia. A pequena Gorducha no meu colo, sem entender toda aquela confusão, no auge dos seus dez meses de vida. Começamos a ler as cartas. Um parênteses: as cartas foram inventadas de última hora. Pedi à Bibi que pegasse minhas matérias da faculdade, que viram folhas de rascunho ao término do ano letivo, e colocasse uma folha qualquer dentro de cada envelope. Como os pequenos não sabem ler, qualquer coisa que disséssemos estar escrito seria uma máxima dita pelo Bom Velhinho. Fizemos a leitura imaginativa dos textos e cada criança abriu o seu presente, todos extasiados com aquilo que encontravam.

Voltamos para o 12, para a segunda parte da ceia: jantar novamente. Comemos mais comida, sobremesa, as crianças destruíram a casa com brinquedos novos e velhos para todos os lados e nós encostamos cada um em um “rincón”, para rir e contar boas histórias. Bem antes das doze badaladas, as famílias Hummel e Ota Sanchez já estavam cada qual de volta ao seu lar doce lar, as crianças felizes, dormindo de forma singela e com a felicidade estampada em seus rostos.

Dia 25, piora minha gripe/rinite/sinusite/dor de garganta/falta de ar. Fomos para a casa dos meus sogros, onde almoçaríamos com parte da família. O Papai Noel passou por lá na noite anterior, deixando um grande exagero de pacotes para todos e, como sempre acontece quando se há muita opção, não se aproveita nada. As crianças ficaram excitadas com tanto pacote e sem saber com o que brincar. O melhor brinquedo, acabou sendo a companhia que um fazia ao outro. Almoçamos todos e fomos para o Pronto Socorro. Claro que a espera foi grande, pois tive a infelicidade de ter três emergências chegando logo em seguida à minha entrada. Triagem, consulta, radiografia, consulta de novo. Sinusite, amidalite, faringite, bronco alguma coisa que não lembro o nome. Antibióticos por duas semanas, anti-inflamatório por uma, antitérmico se necessário, um pouco de repouso e assim se foi mais um Natal.

Em 2009, esperamos comemorar a passagem mais uma vez de forma simples e com muito amor em nossos corações, quiçá em nossa casa nova e com mais pessoas que tenham o espírito de simplicidade natalina, como nós.

2 comentários:

  1. Como vc mesma disse, faltou o arroz com passas. Viva a páscoa!
    bjoca

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  2. MV, o que seria da minha vida, da sua e da vida da querida Fê, se não fosse o arroz com passas e, claro, o abajur...
    Love ú forever

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