quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Uma nova fase profissional

Ler e escrever são duas atividades fundamentais em minha vida, desde sempre. Tenho a sensação de que nasci já com um livro em mãos, um bloco de rascunho e uma caneta 0,5 (amo escrever com caneta de ponta fina). Ontem, dei início ao trabalho mais importante da minha vida: a minha primeira revisão de um livro. O material já se encontra comigo, mas os excessos de atividades ainda me impossibilitam de iniciar tal tarefa. Não posso falar nada da obra, sequer do autor. É um segredo e segredos são secretos. Também quero deixar aqui os meus leitores (nossa, que Machadiano) com um ponto de interrogação, aguardando a publicação desta nova obra literária.

Aproveitando o momento profissional e o pessoal, aniversário dos meus filhos, resolvi postar aqui um texto que produzi no início do ano, na aula da Margi, que me rendeu o primeiro dez de 2008. A proposta era a seguinte: “Estamos dia 31 de dezembro do ano de 1999, faltam 59 minutos para a chegada do ano 2000. Desenvolva a história, usando o tempo em flash backs”. Em cima disso, cada um deu asas às imaginações e diversos textos foram desenvolvidos, reais ou não. O meu texto é real quase que inteiramente:

“IDAS E VINDAS

Não acreditava. Faltavam apenas sessenta minutos e, finalmente, o ano 2000 chegaria. Durante trezentos e sessenta e quatro dias, os noticiários do mundo todo haviam anunciado este momento. Ainda não era a chegada do século XXI, porém, a cabeça das pessoas fazia apenas uma leitura numérica daqueles dígitos que ali apareciam: 1999-2000. mesmo que não fosse a chegada do século XXI, ali iniciava-se uma nova era.
Esta uma hora foi, na minha vida, uma das mais nostálgicas vividas. Lembrei, relembrei e revivi tantos momentos da minha infância. Não acreditava que, após vinte e seis anos, o ano 2000 chegaria.
Quando criança, tia Ana sempre profetizou as palavras de Nostradamus: “Em mil chegarás; mas de dois mil, não passarás”.
Assim, cresci, acreditando que aquele momento que estava vivendo, seria o momento que ocorreria uma grande explosão. Lamentava o pouco tempo que viveria e também lamentava que eu ainda estaria solteira e sem filhos, afinal, vinte e seis anos ainda seria a idade de estudar e viajar.
Lá estava eu, casada há oito anos e com a pequena Isabella no colo, com quarenta dias de vida.
O tempo ia e voltava em meus pensamentos. Ao mesmo tempo que desacreditava “ter sobrevivido” ou “estar viva” e que as palavras da tia Ana e do profeta não se concretizaram, pois nenhuma explosão ocorreria, me via projetando o futuro da Isabella.
Imaginei os próximos mil anos que viriam pela frente; quantas gerações nasceriam da minha filha, meus netos, bisnetos; outros profetas preveriam o fim do mundo.
Projetei a imagem da Isabella com seus sete, oito anos e ao mesmo tempo, remetia a minha pessoa, dezoito, dezenove anos atrás. Vinte e cinco anos era o tempo de vida que separava minha filha de mim e quantas mudanças ocorreram no mundo. Quem seria capaz de avançar pensamentos tão distantes e imaginar o mundo dali mil anos?
Me dei conta que, em cinqüenta e nove minutos, viajei pelo passado e pelo futuro e o único futuro certo era aquele: em sessenta segundos, chegaria o tão falado ano 2000!”

3 comentários:

  1. "dormir até tarde e depois passar o dia lendo e escrevendo bobagens no computador"... isso sim são palavras sábias de um profeta! hehehe.
    boa sorte na nova fase!
    bjundas

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  2. Putz MV... imagina então tudo isso e sua rede???

    Toru, vc é minha fonte de inspiração! Te amo!

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