segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ser Pai

LEGENDA: meu pai com a Bibi, na última vez que nos vimos; meu marido com meus filhos; eu e meu pai; meu pai e meus irmãos, no aniversário de dois anos da Bibi


O final de semana que passou e o próximo serão os piores do ano para mim. Mesmo que tenha decidido definitivamente apertar o DANE-SE para a faculdade, não faz parte do meu “eu” abandonar tudo assim. Mesmo que a nota mais alta que eu precise para passar de ano seja 1,5, não consigo me entregar à mediocridade. Portanto, bunda na cadeira, olhos no computador, mãos no teclado, cabeça nos livros. Claro, dei uma paradinha sábado para a festa no apê da Margi, que foi SENSACIONAL! É muito gostoso estar rodeada de pessoas sinceras, uma boa conversa, um ambiente saudável, sem hipocrisia, sem jogo de interesses, onde o único e real interesse é a troca de experiências e muita risada.

Na reta final de todo ano letivo, viro um poço de estresse, que nem eu mesma me tolero. Tive (e tenho, sempre) no Milton, aquela pessoa que todo mundo sonha e deseja ao seu lado e que, por algum motivo, Deus me concedeu o privilégio. Sábado, ele foi passear com as crianças no SESC. Jogaram damas, xadrez, petecas, leram livros, gibis, assistiram apresentações musicais e voltaram os três muito felizes.

Ontem, todos acordaram cedo e, após dar café para os dois, lá foi o super pai novamente passear com a prole. Primeiro foram visitar os avós. Mas por questão de segundos, desencontraram-se e os três seguiram rumo ao SESC Vila Mariana. Lá, divertiram-se pacas e voltaram radiantes. Almoçaram, descansaram e a noite, ele foi fazer um programa de pai e filha: levou a Bibi para assistir a primeira apresentação em São Paulo da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Depois, ainda assistiram “O Menino Marrom”, do Ziraldo.

Estes momentos que um pai proporciona para um filho ficam gravados eternamente em suas memórias. Quando eu era bem pequena, meus pais me levavam ao Parque Trianon para andar de bambolão (um triciclo de rodas grandes). Lembro-me das compras que fazíamos no antigo Eldorado Pamplona (hoje Carrefour). E quantas segundas-feiras não íamos para a pizzaria, pois era o único período de folga que meu pai tinha.

Hoje, o padrão das famílias mudou. Há muitas produções independentes, voluntárias ou não. Mas não há dúvida alguma da importância da figura de um pai na vida e formação do seu filho. Um pai de verdade, igual ao pai dos meus filhos, que participa, cuida, dá banho, dá comida, escolhe a roupa, preocupa-se com o brinquedo, com a escola, com a formação, que participa ativamente nas festas, que leva aos parques da cidade todo final de semana, que reprime, castiga, diz “eu te amo”, beija antes de dormir e transforma o pouco tempo em que fica com os filhos, em um tempo infinito, pois a qualidade é incontestável.

Há dezoito meses, perdi meu pai de forma repentina e achei que havia perdido também o meu chão. Meu ar faltou diversas vezes e pensei que não respiraria novamente. Não sabia, até aquele momento, que meu pai era tão importante pra mim. Ainda me pego várias vezes pensando em perguntar algo a ele, quando lembro que onde ele está, não há como chegar a minha voz. Questionei a Deus o porquê de uma partida tão brusca e cruel para mim e meus irmãos. Durante meses, achei que meu pai surgiria a qualquer momento, dando um grande susto na gente e dizendo que só queria testar o nosso amor. Ele não fez grandes passeios conosco, mas deixou a marca nos poucos em que fez; também nos deu amor de forma infinita e deixou grandes ensinamentos fincados na minha essência.

Sou muito grata por ter um marido que, independente de ser a pessoa que eu amo e quero viver por cem anos, com suas qualidades e defeitos, é um pai que os filhos se orgulham muito, que amam demais, que é amado de maneira única, admirado por todos que o conhecem nesse exercício de uma figura cada vez mais extinta: SER PAI!

2 comentários:

  1. Mas isto é o que importa na vida, é o amor que perpetua o sentimento em nossos corações. Parabéns pelas palavras, beijos.

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