domingo, 9 de novembro de 2008

Ser mãe - parte 2 (a parte 1 vem depois)



Meu irmão falou que eu escrevo muito e ele não consegue acompanhar, estando pendente na leitura de muitas mensagens. Sinto dizer-lhe, amado Mano Veio, mas não sou eu quem escreve demais. O tempo passa rápido demais, as coisas acontecem rápidas demais e minha cabeça, como sempre, borbulha de idéias e pensamentos. Acho que se tivesse uma maneira de “blogar” diretamente através dos pensamentos, teria uns dez “posts” por dia. No mínimo. O assunto de hoje é muito especial e peculiar para mim. Falarei sobre o aniversário dos meus filhos.

Há nove anos, no dia nove de novembro de 1999, estava grávida da Bibi. O parto, previsto para depois do dia 20, acabou sendo agendado para o dia 16, mas a bolsa rompeu duas horas antes do dia 16 chegar. Assim, aos 39 minutos, vinha minha pequena princesa ao mundo. Depois deste mês de novembro, minha vida nunca mais foi a mesma, pois filhos mudam nosso jeito de ser, nosso modo de pensar, mudam por completo o rumo de nossas vidas. Todos os anos, quando vai se aproximando o aniversário dela, revivo sempre os últimos dias os quais ainda vivemos como um só ser.

Próximo ao seu aniversário de seis anos, estava eu novamente com a minha enorme barriga. Há três anos, no dia 9 de novembro, tinha 35 semanas de gestação e um bebê com quatro quilos dentro da barriga. Uma gravidez sofrida, cheia de dores, cruel ao meu ver, que convalesci cada dia ao lado da minha bacia amiga, das injeções para tentar conter um pouco o enjôo, das dores pelos pontapés inúmeros que levava, mas uma gravidez esperada, desejada, planejada, aguardada. Neste dia 9, em 2005, fui ao consultório da Dra. Joyce às 14horas, com o Milton junto. As dores que sentia eram tantas que entrei na sala chorando. Pedi pelo amor de Deus para que o parto fosse feito ali, naquele minuto.

A Dra. Joyce, diferente do marido, Dr. Adriano, não se compadece muito das dores de suas pacientes. Como teve duas gestações difíceis, acredita que toda mulher sobrevive. Porém, naquele momento, viu que minha dor era intensa, minhas lágrimas eram involuntárias. Ligou para o marido, que estava no hospital São Luis do Itaim e pediu que fosse feita uma aminocentese. Caso o líquido aminiótico estivesse maduro, faríamos a cesárea. Saímos da Av. Angélica rumo ao hospital e eu só chorava no caminho. Já fui ligando para minha madrinha, que ficaria com a Bibi, para a madrinha do Leleco, para buscá-la mais cedo na escola e para todo mundo que pudesse me ouvir chorando, afinal, eu MORRO DE MEDO de parto.

Sempre achamos que já passamos tudo de ruim nas nossas vidas, mas nada está tão ruim que não possa ser pior. Tive inúmeras tentativas de perfuramento do cordão umbilical para colher o líquido. Nenhuma agulha conseguia fazer o serviço. Em meio a tantas tentativas e dores infinitas, comecei a ter contrações. Com uma agulha modelo “espeto de churrasco”, finalmente, foi colhido o líquido, branquinho e “no ponto”. O Dr. Adriano não me deixou por um instante sequer. Minha pressão subiu demais, as dores eram insustentáveis, mas sobrevivi. Após horas de observação, recebi alta para ir pra casa dormir e estar na Pró-Matre no dia seguinte, as nove da manhã. Com instruções para ligar ao doutor a qualquer momento, caso a dor piorasse (acho que pior que aquilo, só mesmo um infarto), fomos para casa. A Bibi foi para a casa da Dinda, o Milton “dormiu” e eu passei a noite em claro, com dores, enjôos, medos, ansiedades, mas finalmente o dia 10 chegou. Chegamos as 8 da manhã na maternidade e minha internação só foi feita às 13 horas. As 14h04, nascia meu pequeno gordo.

Até aquele momento, pedi a Deus que pudesse amar aquele filho menino, afinal, as expectativas do casal sempre giravam em torno de outra menina. Ao receber aquela graça divina em meus braços, descobri que filho não tem sexo. Amei infinitamente aquele serzinho, uma forma de amor única que só uma mãe sabe qual é.

Amanhã, meu Leleco completa três aninhos. Como encerramos a produção, estou com uma sensação de perda. Sensação que meu bebê está indo embora. É como se eu fosse dormir hoje com um filho bebê e acordasse amanhã com um menino.

Mas filhos são sempre eternos bebês para suas mães. Sempre teremos o instinto de protegê-los, de amá-los de forma infinita e fazer quaisquer coisas que estejam ou não ao nosso alcance, para vê-los feliz. Daqui cinco dias, volto para narrar a chegada da Bibi.

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