quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Por um mundo melhor, sempre!



Estou bastante confusa para escrever o que há em minha mente hoje; tentarei ao máximo ser clara nas idéias expostas.

Tenho uma rotina matinal em dias úteis meio que sagrada. Acordo, ligo o computador e abro a janela do quarto. Vou ao banheiro, faço xixi para esvaziar a bexiga, pois tomo água a noite inteira, uso álcool gel nas mãos e volto para a cama. Com o computador no colo, descarrego minha caixa de e-mails, dou uma espiadinha no Orkut para ver se há algo urgente e leio o Estadão online, na íntegra e após a leitura do jornal, já começam minhas divagações e reflexões. Só depois deste ritual é que acordo, de verdade; dou bom dia para as crianças, tomo banho, café da manhã, preparo as mochilas, lancheiras e saímos todos para começar de verdade nossos dias.

Já há alguns meses (se não for há alguns anos), venho refletindo sobre fusões e aquisições e os rumos os quais a economia mundial caminha. Trabalhei em consultorias de Recursos Humanos, em um tempo que era possível saber naquele momento (e em mais alguns momentos futuros) o organograma de uma empresa. De repente, tudo foi se fundindo, se unindo, os cargos executivos diminuindo, salários exorbitantes para os que restavam, desafios absurdos, profissionais tendo suas vidas literalmente sugadas pela empresa que, por sua vez, sempre tem alguém acima para cobrar a prestação de contas (e, principalmente, de lucros).

Lembro-me da infância. Havia uma gama relativamente grande de supermercados. O conceito de hiper, trazido para o Brasil pelo Carrefour e ainda inacessível para muitos, não fazia parte do meu mundo. Lembro do Gonçalves Sé, onde minha avó materna sagradamente esperava, todos os sábados às 7 horas da manhã, a abertura, juntamente com outras velhinhas. Meus pais faziam compra no Eldorado da Pamplona. Quando nos mudamos para a avenida Rebouças, fazíamos compra no Bazar 13, da Teodoro Sampaio. Tudo isto foi desaparecendo. O Pão de Açúcar, que quase sumiu do mapa anos atrás, deu uma reviravolta. Criou o Extra para competir com o Carrefour. O Wall-Mart já se encontrava em terras canarinhas. O Bompreço, que pertenceu ao grupo nordestino Tavares de Melo, foi vendido para os ianques. Os franceses compraram um pequeno aqui, outro ali. O grupo brasileiro também fez suas aquisições. Os três disputaram compras de redes atacadistas, aumentando seu capital e sua participação no varejo. Ainda há um ou outro pequeno tentando sobreviver. Recentemente, tivemos a chegada do Záffari em São Paulo. Os gaúchos arrasaram em sua chegada, trazendo um conceito inovador de hipermercado e confesso que se não fosse minha preguiça, faria as compras de casa apenas lá, mesmo contra a vontade do meu marido, executivo de um concorrente. Mas o Pão de Açúcar online continua sendo minha primeira opção.

Em 1998, ingressei na Uniban para cursar Direito. A primeira turma deste curso havia se formado no ano anterior. Além do campus Maria Cândida, que estudava, havia os campi Leite de Moraes, Rudge e ABC, em São Bernardo. A briga entre Heitor Pinto Filho e João Carlos Di Gênio, respectivamente reitores da Uniban e Unip, começava a crescer, pelo primeiro lugar em número de alunos na área educacional. Após a abertura dos campi Morumbi I e II, Campo Limpo, Osasco, Tatuapé, Marte, a associação com duas universidades sulistas, parece que a guerra do Dr. Heitor foi vencida e a Uniban hoje já é a maior instituição de ensino privado, em número de alunos, no Brasil. A ressalva fica para a qualidade. Dez anos atrás, entrei na Uniban como uma aluna, cuja instituição preocupava-se de verdade com a formação do indivíduo não apenas no âmbito educacional, mas na formação de um cidadão político para o mundo. Hoje, me vejo lá apenas como mais uma, para aumentar a contabilização dos números.

Ouvi ontem uma citação que me chamou a atenção bruscamente, levando-me a tal reflexão. O assunto começou com a Unilever, marca presente hoje até nos produtos da Coca-Cola. Neste universo de tantas fusões, aquisições, compras, caminhamos nós para a formação de grandes cartéis? O oligopólio começa a estar presente? Onde ficará a concorrência? Semana passada, o país surpreendeu-se com o repentino anúncio da fusão de dois dos maiores bancos do país. O banco do governo correu atrás do prejuízo, para não perder o papel de número 1. Negociou a compra de um outro grande banco. E outras corridas continuarão. As concorrências diminuirão. Empregos sumirão. O que será de nós, consumidores de produtos e serviços, em um futuro próximo? Será que a palavra “qualidade”, ainda existirá no vocabulário das empresas? O que consigo visualizar é apenas um jogo de cobrir ofertas, mas preço baixo, só conseguirá o indivíduo que pesquisar entre os três, quatro fornecedores de dado produto ou serviço e bater no seu concorrente, pechinchando para conseguir um preço igual ao concorrente, com uma prestação a mais, facilitando o pagamento do carnê. Sem contar as agências de publicidade e marketing, que precisam passar dias e noites criando, tentando conseguir um mísero espaço nesta pouca concorrência, carregando o peso e a responsabilidade de destacar a marca e o produto.

Desde que se tem indício de seres humanos no mundo, há registro de guerras, de brigas por poder. Dizem que o mundo avançou, que a tecnologia trouxe progressos. Não discordo. Só não consigo pensar no mundo que terão meus descendentes. Por mais que tente avançar minha mente para pensar no futuro, nem o futuro mais próximo sou capaz de perceber. Espero que o mundo de amanhã resgate valores humanos. Que cada um descubra que para viver, precisamos do próximo e para ter um próximo ao nosso lado, precisamos fazer algo por tantos próximos ao nosso redor. Que um dia a humanidade avance de verdade e descubra que é preciso muito menos do que se pensa e do que se luta para conquistar, para que seja encontrada a felicidade plena. Esta, só será encontrada através da transparência, do amor incondicional, da ajuda mútua e de mais pessoas que, assim como eu, tem a utopia de que exista este mundo melhor.

2 comentários:

  1. Tô contigo na luta e acrescento a frase do velho Bodão: "a gente pode morrer, mas vamos cair atirando!"

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