quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Honrando um raro dom divino


da esquerda para a direita:
1a. fileira - tia Sônia, tia Ágatha, tia Melina;
2a. fileira: tia Marina, tia Maria e tia Lívia;
3a. fileira: tia Tatá, tia Meire e tia Carmelita
p.s.: as tias que não aparecem na foto tem contrato exclusivo com uma grande agência internacional de modelos e seus contratos não permitem tal exposição

Muita gente conhece a epopéia que foi a vida escolar da Bibi, até antes dela entrar no SAA. Foram onze escolas diferentes, algumas delas, trocadas devido às nossas mudanças de bairros, cidades, países. A maior parte das vezes, trocamos-na de escola pela incompetência e incapacidade da escola em exercer papel de suma importância na formação de um indivíduo, papel ao qual todo “educador” que coloca na fachada do seu comércio a placa de “ESCOLA”, deveria repensar muitas vezes se realmente está apto a exercer aquilo que está se propondo.

Poderia escrever um livro contando as barbaridades que já vi em escolas de educação infantil, porém julgo tal ação como uma perda de tempo, já que sempre fiz a minha parte: reclamei, dei opinião, sugestão, cobrei, briguei e, sem mais recurso, trocava minha filha de escola. Só a pré-escola, hoje primeiro ano do Ensino Fundamental I, ela fez em três escolas diferentes. Começou em Cascais, Portugal. O ano letivo no hemisfério Norte inicia-se em setembro e na ocasião, a Bibi tinha quatro anos. Como faria cinco em novembro e a escola achou-a muito adiantada em seus conhecimentos, colocou-a no antigo pré. Em janeiro do ano seguinte, já no Brasil, insisti para que ela cursasse o Jardim II, no afã de prolongar sua infância, mas todas as escolas as quais visitei, no bairro de Moema, tiveram o mesmo argumento: “ela já está muito adiantada no processo de alfabetização, se for colocada no Jardim II, perderá o interesse pela escola”. Deu-se a continuidade em sua alfabetização e como fiquei grávida em março daquele ano de 2005, decidimos mudar para Santana no meio do ano. Nova escola e nova decepção. Aliás, esta escola dispensa qualquer comentário.

Em 2006, encontramos uma escola bilíngüe, com ótimas referências. Conhecemos a escola, gostamos e fizemos a matrícula. Minha resistência em colocar “minha bebê” em uma grande e tradicional escola era imensa. Tinha medo de pisarem nela, de machucarem-na, enfim, coisas de mãe. Até o meio do ano, tudo corria bem e o que era muito bom, desandou repentinamente. Volto eu então a buscar uma escola para os dois, uma vez que o Leleco também já freqüentava o berçário da escola bilíngüe.

Visitei toda e qualquer escola e berçário que possa existir aos arredores da nossa casa. Optei por colocar a Bibi no SAA, pois achei que de todas as tradicionais escolas da região, lá foi o único lugar que não cresceu nestes últimos anos em tamanho físico, em número de alunos e preservava valores fundamentais para nossa família. Faltava o berçário, que visitei dezenove ao todo.

Quando saímos de casa, costumamos cortar caminho para fugir do trânsito e sempre via uma escolinha com dois seguranças na porta, mas nada que me chamasse a atenção. Eis que lá foi minha primeira visita aos berçários e me encantei logo de cara. Fui muito bem recebida por uma moça que se apresentou como a filha da dona da escola e achei tudo maravilhoso. O berçário era impecável, com muitas opções de estimulação para os bebês. A escola ainda contava com uma equipe multidisciplinar que jamais vi igual em outra escola infantil. Claro que tinha que ter um senão. O preço era salgadíssimo e completamente fora do nosso orçamento. Mais dezoito berçários visitados e aquele primeiro não saia da minha cabeça. O Milton saiu um dia do trabalho para conhecer o lugar e ao sair de lá, havia decidido: poríamos o Leleco ali naquela escola; ele tentaria negociar o valor, faríamos cortes em nossas despesas, pediríamos bolsa parcial, mas ali era A ESCOLA.

É muito bom saber que a instabilidade que tivemos com a nossa filha foi compensada com o nosso filho. Se eu disser que a escola é perfeita, serei piegas, pois não há perfeição, além da divina. Só que esta escola tem peculiaridades que nenhuma outra jamais me mostrou. Existe há trinta anos, no mesmo lugar, com os mesmos princípios e valores que passamos aos nossos filhos. É a casa da vovó. São duzentas crianças de três meses até seis anos de idade, cuidadas todas com amor e carinho. As donas da escola, tia Sônia – a mãe, Silviane e Cíntia – as filhas, cuidam de cada criança ali dentro como se fossem seus filhos ou netos. As crianças falam do Romeu e da Julieta, o casal de coelhos, como se fossem colegas de sala. Ensina-se respeito. Ouve-se toda e qualquer reclamação ou sugestão dos pais, sendo que tudo é atendido imediatamente, sempre. O Leleco é extremamente feliz lá dentro, vai alegre para a escola todos os dias e muitas vezes, após passar 8, 9, 10 horas lá dentro, resiste em voltar para casa. Ainda fui contemplada com o fato dele ter tido as melhores professoras que já conheci.

Fica hoje os meus parabéns à Dona Sônia Vasconcellos. Parabéns pela pessoa que ela é, parabéns por tudo que ela representa em minha vida (e só nós duas sabemos o quanto), por sua perseverança em manter por trinta anos uma instituição de educação, ensino e amor, quando vemos tantas portas de escolas sendo fechadas. Mais parabéns pela educação que foi dada às suas filhas e que hoje, adultas, casadas e já com suas filhas, dão continuidade ao trabalho iniciado pela mãe com tanto amor, carinho e dedicação. E um enorme obrigado, em nome dos pais do Leleco, para as tias Maria, Melina, Marina, Kátia, Agatha, Tatá, Lívia, Simone, Raquel, Carmelita, Renata, Meire e todas as outras tias que estejam presentes no dia-a-dia do nosso pequeno e cujo trabalho temos o mais profundo respeito e admiração, pois a profissão de professor é um ato de amor que não está presente no mundo capitalista. Outro agradecimento à Mara, nossa Super Nanny que tanto ajuda e orienta nossa família e a primeira psicóloga na qual acreditei. À Thaís, a fono que cuida com todo o amor de cada um dos anjinhos. A Danila, que carinhosamente se preocupa com o cardápio e o equilíbrio na alimentação de todos eles. Ao tio Benê, pelo amor que passa através da musicalização e tanto muda a vida de cada um deles. Ao tio Marcos, formando futuros judokas. À tia Fafá, ensinando Artes aos pequenos arteiros. Ao tio Gil e ao tio Renato, pelo carinho na entrada e saída todos os dias. E a Deus, por nos permitir ter o Leleco em sagradas mãos, as quais tanto confiamos!

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