quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Existe perfeição ou satisfação plena?

Meses atrás, conversava com a minha irmã sobre cabelos. Confessei a ela que quando éramos criança, uma das minhas grandes frustrações era ver minha mãe fazer Maria-chiquinha nos cabelos dela e os meus cabelos, lisos, escorridos e horrorosos, estavam sempre do mesmo jeito, pois não havia elástico ou fivela que os prendesse. Minha irmã revelou que uma das suas grandes frustrações de infância, era ver meus cabelos lisos, escorridos e maravilhosos, acordarem sempre prontos para sair de casa, enquanto minha mãe tinha que passar muito tempo arrumando o dela para sair. Rimos e choramos da situação. Acho que se meu cabelo não tivesse caído inteiro, jamais teríamos tido esta conversa e levaríamos nossas frustrações “cabelísticas” para o túmulo.

É difícil a pessoa se aceitar do jeito que é. Sábado, estava no play com as crianças. Comigo, Danisam, Yolanda e seus rebentos. A piscina estava lotada. Já morei em outros condomínios com piscina, mas nunca vi alguma ser tão freqüentada como a deste nosso condomínio. As duas deram início a uma discussão. As férias se aproximam, o calor chegará com tudo e como faremos para levar as crianças à piscina? Dei risada, pois não entendi qual era o problema. O problema era algo chamado “não quero ser como sou” e naquele momento, resumia-se às celulites e estrias. Desembestei a rir. A Danisam, apesar de ter dado à luz menos de um ano, tem um corpinho de pré-adolescente. A Yolanda cismou que tem muita flacidez na barriga. Esperei o zelador passar por nós e levantei a blusa, abaixei a calça e mostrei a elas o que eram estrias e celulites. Disse as duas que aquelas estrias, celulites e flacidez pertenciam a mim e a mais ninguém, elas foram criadas pela minha pessoa e não era da conta de ninguém se eu as tinha ou não. Conclui o assunto dizendo que usaria biquíni durante todos os dias das férias em que levar as crianças à piscina.

Mais tarde, na festa da Bianca, começamos a descobrir todas as insatisfações femininas. Tal como os cabelos lisos e enrolados, meu e da minha irmã, umas são doidas por um silicone nos peitos, outras por redução de mamas; umas se acham injustiçadas por não terem crescido tanto, enquanto outras reclamam pelo excesso de fermento usado em seus hormônios e suas dificuldades em encontrar calças de tamanhos exatos e calçados que caibam em seus pés. E assim correu a discussão. Todo mundo tem alguma insatisfação: o nariz, os olhos, o quadril, o braço cumprido e, pasmem, descobri outro dia uma amiga que é insatisfeita com sua testa. Eu que sempre sofri pelo excesso de testa, vejo minha amiga contando que depila os cabelos na região da testa, para aumentá-la.

Precisamos nos sentir bem para estarmos felizes. Se para tanto, for preciso fazer plástica, cirurgia, lipo, cortar de um lado, enxertar de outro, o que vale é se aceitar e se sentir bem! O resto acontece por conseqüência. O conceito de perfeição é diferente para cada indivíduo. Então, um brinde às diferenças!

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