sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Buraco quente



Casais unem-se por diversos motivos e se há algo que tem um peso enorme na escolha de “juntar as escovas de dente”, este algo diz respeito às diferenças e semelhanças entre duas pessoas. Eu e o Milton temos muitas diferenças e isto nos faz crescer bastante e aprender cada dia mais um com o outro. Também temos muitas semelhanças e é exatamente aí que encontramos os prazeres mais simples da nossa união. Uma delas é o buraco quente.

Primeiramente, vou explicar o que é o buraco quente e contar a origem, ao menos a origem que nós conhecemos, desta iguaria dos deuses. O Jockey Clube de São Paulo possui dois bares e um restaurante, do Chef Charlô. Em um dos bares, o Mercearia, é feito o sanduíche que dá nome a este texto. A primeira vez em que estive no bar, decidi experimentar o lanche por duas razões: o nome era interessante, mas o recheio era de carne moída.

Não sei qual o motivo da fascinação que tenho por carne moída. Posso passar dias, meses, anos sem comer qualquer tipo de carne. Passo longe de bife, não me importo com churrasco. Quarta-feira, fui almoçar em uma grande churrascaria e comi apenas risoto de camarão. Saí sem sequer provar uma fatia de carne bovina. Mas se tivessem me oferecido uma carne moída...

Vem o buraco quente. Acho que dentro de um pão francês, cujo miolo é completamente eliminado, devem caber uns duzentos e cinqüenta gramas de carne moída. E não é uma simples carne moída. É uma carne moída hiper supermega ultra temperada e, o detalhe, muita, mas muita pimenta. Daí o nome do lanche.

Logo que conheci o Milton, apresentei meu reduto preferido de sanduíche de toda a variedade que nossa São Paulo nos oferece e ele também amou.

Hoje foi um dia corrido. Aliás, a semana inteira foi corrida. Todos os dias, começava com uma lista de dez afazeres, trabalhava o dia inteiro e, ao final do dia, a lista do dia seguinte contava com vinte afazeres. Cansada da louca semana e pensando no que fazer para o jantar, tive a idéia de preparar buraco quente. Quando o Milton ligou para avisar que estava vindo para casa, participei-lhe que hoje teríamos buraco quente. Senti o salivar dele através do telefone.

Tenho certeza que, independente do trânsito da cidade por ser sexta-feira, por estar chovendo e por ser o último dia do salão do automóvel no Anhembi, nosso vizinho, ele chegará em casa voando para devorar uma das nossas maiores semelhanças: a paixão pelo buraco quente. Experimentem, é apaixonante!

Um comentário:

  1. Do buraco quente eu não sabia. Mas eu sou da época em que vc acordava cedo e botava carne moída com batata, arroz e feijão na mesma panela e misturava tudo pra comer no café da manhã!
    Bons tempos...
    bjoca

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