domingo, 5 de outubro de 2008

Privacidade, é possível?

Vivemos na era da invasão. As telas dos televisores invadem nossos lares diariamente com milhares de porcarias. Até alguns anos atrás, poderia considerar um programa televisivo realmente como uma distração. Hoje não. Trata-se de estresse constante. É propaganda eleitoral, milhares de produtos de todos os tipos e a qualidade da programação deixa a desejar. Tem a invasão da privacidade pelo telefone. A invenção do identificador de chamadas e da caixa-postal torna o ser humano escravo do aparelhinho. Há aqueles que dão um simples e rápido toque para "registrar" o seu retorno de chamada e também para fazer a chamada; há o torpedo, bombardeando as caixas de mensagens; há a cobrança constante, do tipo: "te liguei, fiquei esperando e você não me retornou".
E quem disse que eu tenho identificador de chamadas? No meu caso, decidi tirar o identificador e a caixa postal, que não tenho a opção de "não ter"; deixo um recado assim: "por favor, não deixe recado, pois não os pego". As pessoas acham que é gozação e deixam recado, cobrando-me pela falta de retorno.
Tem o orkut: no começo (quero dizer "no meu começo"), achei uma das maiores invenções da era digital. Amei reencontrar pessoas, ter notícias de amigos, aproximar-me de familiares. Morava na Europa na ocasião e passava horas navegando, buscando, conhecendo. De repente, começa-se o bloqueio de mensagens, bloqueio de fotos, bloqueio de pessoas, identificação de quem visitou ou não sua página, e, pior, o orkut se tornou uma das ferramentas mais poderosas de espionagem da vida alheia. Há a comunidade "se quer privacidade, saia do orkut". Se não for isso, é algo bem parecido.
Todos querem privacidade; poucos querem sair do orkut. Mas não querem ter suas vidas invadidas por pessoas que não fazem parte dela, querem usar o orkut apenas como um instrumento de comunicação com os amigos. Impossível. Imaginem se a Marta ganhar as eleições municipais em São Paulo, cumprir sua promessa de internet gratuita, como ficará a privacidade de cada indivíduo, com a acessibilidade de todos, para todos, sobre todos?
Sabem o que tenho a dizer? Como será o amanhã... responda quem puder!

Mudando de assunto, desejo para todos, boa votação no dia de hoje; que vença o candidato que puder ser mais imparcial, socialmente falando, e aquele que puder fazer um pouco para todos; que a classe média deixe de ser massacrada cada vez mais pela taxação de impostos; que a classe baixa deixe de ser privilegiada em tudo e que as pessoas deixem de fazer corpo mole, esperando que o governo assistencialista lhes ampare em suas necessidades! Que vivamos um mundo melhor.

Úrsula Hummel

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