terça-feira, 28 de outubro de 2008

O valor de uma amizade

Durante muitos anos da minha vida, acreditei que amizade era tudo de mais precioso que podia existir. Levei muitos tombos e ainda assim, faço deste pensamento uma máxima em minha vida. Mudei minha forma de encarar uma amizade, após tantos puxões de tapete; antes, bastava conhecer alguém e em cinco minutos, achar que estava diante de um “melhor amigo de infância”. Com a maturidade chegando, fui descobrindo que Papai Noel não existia (só em nossos corações). Descobri que as fadas estão presentes nos contos e também em nossas imaginações, mas na vida real, há muito mais bruxas. Antes, achava que a felicidade era estar semanalmente no Gallery, cercada de “amigos”; era jantar n’O Leopoldo, saborear uma lagosta e sair de lá em um belo conversível; era ser permanentemente VIP no Bourbon Street, pelo simples fato de conseguir reunir 150 pessoas em uma noite, para comemorar meus 10 mil dias de vida (sim, até isto eu comemorei); achava que o real prazer era fazer parte do “Clube do Uísque” do Charles Edward e ter minha cadeira cativa sempre garantida.

Em março de 2002, veio um estalo. Cansei da “vida mundana”. Resolvi experimentar a minha própria companhia e ver se eu era suficiente para mim. Passei a saborear de verdade cada dia, voltando às 23hs da faculdade e assistindo a bons filmes na televisão. Adquiri vários clássicos da literatura que há muito adiava a leitura e mergulhei neste mundo cultural. Troquei as lojas de roupas transadas pelos pijamas e camisolas da Any Any. Só então, encontrei aquilo que achei realmente gostar: ficar só.

Quando eu e o Milton nos casamos, tínhamos a mesma prioridade: momentos de solidão. Desfrutamos da mesma opinião de que um relacionamento só é perfeito se cada um sabe respeitar o momento do outro. E não quer dizer que deixamos de amar nosso parceiro, quando simplesmente dizemos: quero estar só. É na verdade, um ato de amor maior, pois a solidão nos leva à reflexão e esta, nos leva ao crescimento anterior.

As amizades sinceras permaneceram. As pessoas que realmente se importavam conosco, sabem compreender e respeitar qualquer fase ou transição que alguém esteja vivendo. E tantas outras novas fases foram surgindo, assim como novas amizades, que só vieram agregar valores ao meu ser.

Tenho hoje a sensação de que aprendi a equilibrar as coisas. Digo sensação, pois ainda quero aprender muito. Não tenho a necessidade de ter alguém ao meu lado. Sem auto-suficiência, pois acho que ninguém vive sozinho, mas eu me completo e eu me faço feliz. Só assim, consigo fazer feliz ao meu marido, aos meus filhos e aos amigos que amo.

Na minha fase de depressão, me afastei de muitas pessoas queridas. O fato de serem amizades sinceras fez com que o tempo não deixasse que nada mudasse entre nós. Apesar de me sentir feliz e completa dentro da minha solidão, sou infinitamente feliz ao lado dos meus amigos: Deus, meu grande companheiro de todos os momentos; meu marido e meus filhos, meu alicerce e porto seguro; Tchaquinha, minha comadre a amiga há 25 anos; Fezoca, o único ser neste mundo capaz de comunicar-se comigo por osmose; o picareta do meu irmão, lá longe e simultaneamente, tão perto; minha "marida", comadre, amiga e irmã para todas as horas, Tchaquinha; minhas amigas da GAIOLA DAS LOUCAS, as quais não saberia mais viver sem e que são, para mim, como uma grande panela de arroz papa: SEMPRE UNIDAS; os membros do NOSSO CLÃ: nós oito somos um único ser unidas diariamente e a vida com vocês tem outro sentido; minha professora Elisete e minha eterna educadora favorita, tia Sônia Vasconcellos; minha amiga Lourdes, também tão distante e tão presente; minha amiga Telma e sua família, eternamente presentes em meu coração; minha amiga Alda e sua família que cresce a cada dia, e em nenhum dia, deixo de pensar o quanto ela representa de lição de vida para mim; a família da Ave Maria e do Frei, sempre uma lição de vida; minhas amigas que, com certeza, são irmãs de outras vidas, Pops, Fofs, Érika Fefão, Lari Guirado; a Kitty, que me detona a cada encontro ou a cada telefonema e eu sempre a amo mais; tantas amizades que começaram de forma profissional e adentraram em minha vida para sempre, mesmo que passemos um milhão de dias sem nos encontrarmos: Mimi e Cris Alencar, Twin; a todos os meus amigos homens que tão distante estamos e que basta um e-mail para tenhamos a sensação de que nos vimos ontem a noite.

O equilíbrio encontrado entre o “estar só” e o “estar bem acompanhado”, surgiu quando encontrei prazer em sentar no chão da sala, conversar com quaisquer destas pessoas, seja sentada ao meu lado, seja por MSN ou Skype, seja por e-mail, seja por telepatia, seja através do “olhar uma estrela e saber que em qualquer outro lugar, esta pessoa está vendo a mesma estrela”. A maior verdade aprendida, é que um amigo é capaz de curar qualquer dor, pois basta saber que ele existe para que sejamos capazes de sentir uma felicidade ímpar, um prazer infinito. E minha maior alegria, sem dúvida, é estar ao lado do meu marido e maior amigo que encontrei na vida, mesmo que ele esteja na sala e eu no quarto, mas sabendo que em qualquer momento, temos um ao outro apenas para transpor energias através de um simples olhar.
Um brinde àqueles que são amigos e que sabem valorizar uma relação assim. Um brinde ao paradoxo que é ser geminiano e viver constantemente de maneira tão inconstante, mas com sentimentos tão profundos e verdadeiros. Um brinde à vida!

7 comentários:

  1. Panda, você tem uma peculiaridade incrível ao passar suas emoções para o "papel". Continue postando e continuaremos acompanhando! Beijos

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  2. Nossa Ursuleta... só li o começo e já sei que vou virar leitora assídua do seu blog... amiga, vc escreve bem demais... deveria ter uma coluna especial só pra vc nessas revistas femininas... com certeza vc iria arrasar...

    Saudades de vc ! beijos

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  3. Ursula, vc sab qto sou proud de voce, e agora mais ainda, pois nao é qualquer um que pode ter esse senso de realidade de vida, que lindo esse respeito por voce e por outros, solidão é uma fase de encontro consigo mesmo e é lindo pois é qdo descobrimos o nosso verdadeiro eu, "como vc descobriu", é qdo conseguimos ouvir a voz de Deus, que é tão simples de ser ouvida mas a simples ação de parar nos da medo..
    Medo ficar só, medo de descobrir quem realmente somos..
    Parabens amiga voce conseguiu isoo e tenho certeza de muito mais.
    Continue cultivando esse seu EU interior, sempre temos algo maravilhoso p/ trazer a nossa realidade.
    Beijus!!!!sua amiga de longe mas de sempre.

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  4. Ursinha, amei seu Blog! Vc é mesmo uma pessoa muito especial. Sou como vc era, entro de cabeça nas amizades, mas sei que com vc não errei. Desde o dia em que vc entrou na sala achando estar no lugar errado, vi sua estrela brilhando, pq vc TEM uma grande estrela!!!Saiba que vc encontrou uma bruxa boazinha (da vassoura de carmim hehehe...)Bjs, até amanhã na festa do clã (rimou rs).

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  5. Anonimo... continuarei postando e tentando saber quem é você...

    Pat... saudades dos tempos de outrora que tenho tantas recordações... mas já te falei, pode ser a revista masculina?? rs

    Lú, nem tenho palavras pra dizer o que nos une nesta vida, que já chega há quase 20 anos cuja distância física não diz absolutamente nada.

    Mô...ESTRELA... esta será sempre nossa palavra chave. Pois NÓS TEMOS ESTRELAS, por isto elas brilham, sempre!

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  6. Caraca, tô ficando velho! Eu estava lá na época dos Charles e Leopoldos da vida. Ainda bem que sobrevivi aos furacões.
    Muito bom, gordulha!

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  7. Orgulho em estar aqui...

    Em ter sido citada aqui


    Amo vc

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