terça-feira, 21 de outubro de 2008

Faça amor, não faça guerra

Alguns dias já sem blogar. A sensação é de que os pensamentos e sentimentos vão se perder no espaço, sem registro algum. Mas no caso destes últimos dias, não há como se perder nada, pois há coisas em nossas vidas que deixam marcas profundas.

Terça-feira da semana passada, deixei as crianças na escola e sem vontade alguma de ir à faculdade, de trabalhar ou de fazer qualquer outra coisa que usasse o cérebro, decidi ir para um lugar fantástico, chamado Shopping. Não que eu estivesse de baixo-astral, muito pelo contrário, estava feliz e queria prolongar aquele momento com algo que me fizesse mais feliz e lá fui eu às compras. Não comprei nada para mim. Ta bom, comprei. Mas foi só uma canga e nada mais. Só que o porta-malas do meu grande carro veio lotado de sacolas e caixas. Comprei muitas roupas para as crianças e fiquei mais feliz ainda. Do shopping, continuei o dia “futilidade total” e fui à manicure. Fiz minhas unhas (aliás, decidi ousar e usei uma cor que jamais me imaginaria usando, mas não consigo descrevê-la aqui) e enquanto discuto com a cabeleireira o que fazer nas minhas pobres madeixas, entra o plantão do jornal da Globo na televisão. Seqüestro de quatro jovens em Santo André, em um conjunto do CDHU.

Comentei com as pessoas no salão que eu, acredito, sou a pessoa que menos assiste a televisão dentre as pessoas que vivem ao meu redor. Infelizmente, todas as vezes que estou em frente a um aparelho, sempre tem notícias deste teor. Passei a acompanhar o caso pela Internet e meu amado Estadão on-line (que faz com que eu consiga ler diariamente um jornal, na íntegra, sem sujar minhas mãos).

Sou emocional puro. Acho que minha razão foi abortada quando nasci e apenas a emoção vingou junto a mim. Senti-me cada dia mais envolvida com o tal seqüestro. Vibrei na sexta-feira, quando tudo acabou. Ou quase. Ainda questionei dentro de mim, o porquê das garotas terem sido levadas para um hospital e não ficaram ali, com suas famílias, em momento de tanta necessidade de apoio emocional. Depois vem a notícia dos tiros, do tiro na cabeça da Eloá, da gravidade do seu estado. Passei a noite em claro, sempre buscando um motivo, uma explicação para que tais coisas aconteçam.

Ter filhos, desde sempre, é doação total. É uma mudança radical na vida, em nossos atos, em nossos modos de agir, de pensar e de viver. Talvez, o fato de eu ter filhos, tenha me deixado envolver tão intensamente com esta história. O drama continuou no sábado, até às 17 horas, quando veio a “pré-confirmação” da morte cerebral. Orei com toda a minha fé e devoção pelas famílias envolvidas, pelas vítimas e por toda a sociedade que estava, naquele momento, julgando e condenando, coisa que apenas Deus tem o poder e o direito. Continuo pedindo fortemente por um mundo melhor, por um lugar com menos atrocidades, menos perigos e mais amor, para que meus filhos cresçam de forma saudável e que sejam felizes em seus caminhos.

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