sábado, 18 de outubro de 2008

Apelidos

Sábado chuvoso. Pleonasmo puro. Mas eu, como boa mãe, acordei, tirei meu pijama de urso, entrei no chuveiro morno de cabeça (para despertar mais rápido), dei café para as crianças, troquei-lhes as roupas, fui de Santana até o Bom Retiro para comprar sabão líquido Ariel (pois a promoção estava imperdível) e de lá, partimos para o Center Norte, onde assistimos “Os Mosconautas no Mundo da Lua” – sessão das 10h50. Confesso que o filme não me interessava nenhum pouquinho, só que acho o máximo levar as crianças ao cinema. Qual é o programa que se faz em um dia com o tempo de hoje, que diverte, ensina, passa o tempo, educa e custa (para nós três) a bagatela de R$ 14,00? Se alguém souber, fico no aguardo. Fui preparada com o meu arsenal de blusas. Elas dão ótimos travesseiros durante a sessão e, com certeza, tiraria uma soneca durante o filme.

Não sei de onde vem essa minha mania de apelidar as pessoas. Acho que o papai tinha este hábito também, mas o meu é exagerado. Gosto de apelidos, porém, dos apelidos que eu dou. Sinto que crio um vínculo único com a pessoa apelidada, quando alguém chamá-la de longe por aquela alcunha, não importa se uma grave faringite tiver destruído a voz; ela saberá que sou eu. Ao invés de dormir no cinema, fiquei pensando no número de pessoas que já apelidei.

Sem dúvida alguma, o que mais pegou foi o do meu irmão, Kid. Não vou contar o porquê de Ernani ter se transformado em Kid agora, pois a história é longa. Tudo bem. Ficaram curiosos. Então vou contar. Meu irmão nasceu japonês e há 27 anos, minha mãe ainda não soube explicar o fato, uma vez que nem na família Almeida e nem na família Lemos, há indícios orientais. Desde pequeno, eu o chamava de Japa, Japôncio. Por volta dos seus 10 anos de idade, resolvi dar o apelido do apelido e Japôncio virou apenas Pôncio. Um casal de amigos, que não entendia exatamente do que eu o chamava, passou a chamá-lo de Múrcio. Eu adotei. Do Múrcio, virou Mumu. Na época, ainda passava “Os Trapalhões” e o saudoso Mussum se intitulava “Kid Mumu da Mangueira”. Meu irmão Ernani virou Kid Mumu e daí para Kid. Este apelido está debutando este ano de 2008 e muitos dos meus amigos sequer sabem seu verdadeiro nome, apenas o conhecem por Kid.

Muitos outros apelidos foram por mim colocados: Pops (Thaís), Fofs (Camila), Leleco, Bibi (meus filhos Leonardo e Isabella), Bimbo ou Toru Boi (meu marido Milton); teve a Cachorrona, a Neusinha, o Bicho Furão, a Chicken, o Pomba; minha irmã Bárbara é Barbarela Rosa; gosto muito de apelidos levando ao estrangeirismo russo: Muris, Brunis, minha cunhadinha é a Japildis (ou Cunhis), minha comadre, Tchakowiski. Meu sobrinho é Kabeção e não tem jeito, não consigo pronunciar seu nome, André. O apelido dele nada tem que ver com seus quase 99 centímetros de perímetro cefálico. Tive uma chefe (e neste momento, me salva o fato de ter tido muitas chefes mulheres), que o apelido (que ela até hoje não sabe) é RDP. Este não conto nem sob tortura. Mas para abreviar, passamos a chamá-la, entre nós da equipe, apenas de R. Aos professores chatos, sempre são dados apelidos menos convencionais. Aos alunos chatos também.

E como falar de todos os apelidos que já coloquei nas pessoas levaria dias de escrita, encerro contando de dois casais de amigos muito queridos: um deles, Cris e Everaldo, que para mim são simplesmente e carinhosamente, Frei e Ave Maria. E o último apelido dado por mim é para outro casal queridíssimo, Lucianta e Jilmento. Salve-se quem puder.

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