quarta-feira, 14 de maio de 2008

Luto

É engraçado. Vejo no meu dia-a-dia que, graças a Deus, é rodeado de pessoas. O mote de suas vidas é, na maior parte das vezes, o mesmo: reclamar. Reclama-se da falta de dinheiro, do trânsito, do marido, dos pais, do carro quebrado, da falta de vontade de estudar, do chefe que massacra, da empresa que suga. Mas só nos damos conta do quão pequeno é tudo isto quando nos deparamos com um fenômeno: a morte.

Desde criança, minha mãe sempre dizia que a única certeza que temos na vida é a morte. Infelizmente, não somos criados, na maioria das vezes, para lidar com esta terrível realidade que nos pega de surpresa.

Em 15 de maio do ano passado, uma terça-feira, acordei indisposta. Não fui à faculdade. As duas horas da tarde, tinha minha primeira consulta no doutor Youssef, médico milagroso de regime. Entrei na consulta atrasada e, ao começar o relato sobre minha situação, tive uma crise de choro. Ao terminar a consulta, questionei-me sobre meu estado psicológico e o que a obesidade estava fazendo com o meu emocional. Algumas horas mais tarde, recebo a visita inesperada do meu irmão que me abraçou e cochichou no meu ouvido: "Gorda, o papai foi embora!". Comecei a rir, chorar, gritar. Entrei em pânico. Desespero total.
Agora completam 365 dias passados deste que foi o pior da minha vida. A dor é infinita. Não deixei nenhum dia sequer de pensar no meu pai e em tudo que ele me ensinou, de todo o amor que ele deu aos filhos e todo o seu desapego material.
Sou consciente de que sua passagem foi tão rápida pois ele foi um ser que fez o bem a muitas pessoas; infelizmente, não cuidou dele como deveria. Em 30 minutos, foram 3 paradas cardíacas e o diagnóstico da morte súbita.
Espero que um dia este sentimento realmente amenize e eu possa amadurecer para entender a passagem de cada um por esta vida em que vivemos e que cada um de nós é responsável por suas escolhas.
Descanse em paz, PAPAI. AMO VOCÊ!!!!

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